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Hanseníase. Você realmente conhece essa doença infectocontagiosa ?

Médica explica que muitas pessoas pensam que a hanseníase é uma doença cutânea

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, transmitida pela bactéria Mycobacterium leprae.Embora haja registros de sua ocorrência há milhares de anos atrás, ainda hoje é um tema desconhecido ou mal compreendido por boa parte da população. Ana Claudia Krivochein, médica do Hospital Estadual Tavares de Macedo, no Rio de Janeiro, explica, em entrevista à Agência Notisa, que o contágio ocorre através das vias respiratórias, mas é necessário que a pessoa infectada tenha contado íntimo e prolongado com outro indivíduo para que a transmissão aconteça.

Após a infecção através das vias aéreas – respiração e/ou saliva –, a bactéria migra para os nervos periféricos. Segundo Ana Claudia, o processo inflamatório se inicia em torno dos nervos, o que causa atrofiação na área atingida. A especialista garante que a hanseníase é uma doença do nervo e não de pele, porém há manifestações cutâneas. O primeiro sintoma é uma mancha clara ou avermelhada na pele, e a principal característica é a perda da sensibilidade local, afirma a médica. Por isso, o diagnóstico precisa ser precoce para interromper a doença no estágio inicial e evitar sequelas, pois a infecção inicia-se nos nervos periféricos e tardiamente pode atacar os órgãos, inclusive os vitais, e as vísceras. Dessa forma, pode haver comprometimento de alguns sentidos, por exemplo, visão, audição e fala.

A médica explica que muitas pessoas pensam que a hanseníase é uma doença cutânea, caracterizada pelo descolamento de pedaços da pele, o que é incorreto. “As pessoas com hanseníase sofrem mutilação, pois não sentem mais o membro devido à perda de sensibilidade”, esclarece Ana Claudia. Ela alerta que um médico deve ser procurado o mais rápido possível quando se notar a presença de manchas na pele com falta de sensibilidade.

O tratamento, explica Ana Caludia, dura de seis meses a um ano e é totalmente gratuito. Ela lembra que após 48h do inicio da terapia o paciente não é mais capaz de transmitir a doença. Faustino Pinto, voluntário do Morhan (Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase), acrescenta que a cura é possível para todos os níveis da doença, independente do estágio que ela se encontre.

Segundo Faustino, muitos atingidos pela hanseníase têm pouca informação e após receberem alta ainda acreditam que são portadores da doença, devido às sequelas que permanecem e precisam ser cuidadas. Fátima Fernandes Christo, que também é médica do Hospital Estadual Tavares de Macedo, explica que a hanseníase hoje tem cura, mas é necessária a sua prevenção. Uma vez que a infecção já ocorreu, é preciso iniciar o tratamento imediatamente com o objetivo de evitar as sequelas, alerta a especialista. Ela acrescenta que o tratamento é através da poliquimioterapia e durante seu curso é necessário um acompanhamento médico em função dos efeitos colaterais.

“Existem doenças mais graves e contagiosas, porém a hanseníase por ser uma doença que mutila e deixa isso evidente ao primeiro olhar, é cheia de estigmas e preconceitos. Por isso, o nosso trabalho não é só curar a doença, mas é também tirar esse estigma que a doença carrega”, ressalta Ana Claudia. Para Fátima, aparceria da mídia é importantíssima, pois é possível levar informações corretas à sociedade, quebrando esse estigma.

 

Ana Claudia, Fátima e Faustino foram entrevistados pela Agência Notisa, durante o 1st Internacional Symposium Hansen´s Diseasemand Human Rights, evento promovido pela ONU e realizado quarta-feira (1º) no Rio de Janeiro.

 

(Segunda-feira segue mais uma notícia sobre hanseníase realizada a partir de entrevista especial durante o 1º Seminário Internacional de Hanseníase e Direitos Humanos da ONU).

 

 

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)



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