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"As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas..."


 

"As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas,

e é cansativo para as crianças estarem a toda hora explicando"

(Antoine de Saint-Exupéry)

 

          Você já parou para pensar no papel que a infância exerce no seu dia a dia? Para algumas adultos, essa fase da existência permanece enclausurada nos álbuns de fotografia.

          As crianças tem olhos para coisas fantásticas. “Ficar adulto é ficar meio cego?” Assim Rubem Alves fala para explicar que nós, adultos, não nos permitimos viver, perceber e sentir como as crianças.  Então vocês podem argumentar que é preciso ensinar as crianças a andar, a falar, a se comportar bem, a respeitar e vários outros aspectos físicos, emocionais e éticos do ser. E eu lhes respondo : Quais são os seres que estão felizes o dia todo? Isso mesmo – Crianças!  Existem sim os momentos em que as crianças também ficam chateadas ou bravas, mas até sobre isso podemos tirar uma lição, pois elas rapidamente passam por cima disso e voltam a sorrir em um piscar de olhos.A grande verdade é que poucas vezes paramos para aprender com estes pequenos seres humanos.

            Infelizmente, a infância geralmente é lembrada como o período de plenitude que nunca mais voltará. Eu disse, “infelizmente”? Ops ... a infância nunca nos deixou; nós é que deixamos ela. Quem não gostaria de voltar a ser criança? Ter de volta o tempo para aproveitar a vida, ter olhos mais inocentes, ser feliz com as coisas simples, viver uma vida de fantasia...

        Nós adultos somos especialistas em nos mantemos chateados, bravos e preocupados com um acontecimento por muito tempo após o acontecimento. Nossas mentes ficam presas mais do que deveriam em fatos negativos do passado.  Não existe espaço para diminuição de ritmo, muito menos viver calmamente. A necessidade de se apoiar na lógica para, assim, decifrar o mundo faz com que a maioria leve ao pé da letra a expressão "penso, logo existo", cunhada pelo filósofo francês René Descartes. Ante uma crença tão arraigada, fica difícil valorizar o universo lúdico e imaginativo. Trocamos o olhar colorido pela ótica cinzenta das preocupações e das responsabilidades

       É engraçado que como adultos, muitas vezes nos esquecemos completamente de usar nossa imaginação. Nos tornam mais rígidos na forma que vivemos. Estamos menos abertos a novas possibilidades, exatamente por termos perdido nosso senso de imaginação.Quando abandonamos nossa porção inquieta e sedenta por descobertas, nós nos entristecemos de muitas maneiras. Até nas coisas mais simples como, por exemplo, cedermos a “tentação”, de devorar um doce sem nos preocuparmos com a dieta.

         Criança é também aquele adulto que nunca esqueceu da criança que foi um dia, com muitas perguntas na ponta da língua desejando ansiosamente todas as respostas, reconhecendo ainda que criança é o que a gente nunca deveria ter deixado de ser.

“Quando as crianças brincam e eu as ouço brincar,

alguma coisa em minha alma se põe a alegrar”... (Fernando Pessoa)

          O mundo é difícil, sim. E não é cheio de flores, realmente. Existem problemas que não podemos ignorar, coisas que nos impedem de continuar pensando como crianças. Quem “carrega o mundo nas costas” conhece bem o peso da armadura. As obrigações diárias decorrentes do estilo de vida moderno, somadas à acirrada competitividade entre as pessoas e à necessidade de galgar postos no âmbito do trabalho, nos afasta das dimensões do simbólico e da imaginação. Mas será que as coisas foram sempre assim, ou passaram a sê-lo justamente porque deixamos de ser crianças? Nada nos proíbe de carregar nossa criança interior para todo canto.

            As crianças têm a vantagem de, ao estarem libertas de dogmas, preconceitos e traumas, conseguirem mais facilmente avançar para coisas novas sem medos infundados. Para um adulto é sempre mais fácil racionalizar mil e uma razões para que determinado passo não seja dado. Como falou Cora Coralina, quando escreveu que a vida tem duas faces: positiva e negativa. A positiva é a pedra de segurança, que nos ensina a viver e cuja solidez é adquirida desde criança.

         A criança é muito mais sábia e espontânea. Podemos nos reaproximar dessa fase da vida, aparentemente distante e inacessível, relembrando de onde vinha o estímulo para sorrir ou mesmo observando o comportamento dos pequenos. Crianças têm fé e acreditam que seus sonhos se realizarão, não existe uma sombra de dúvida em suas cabeças. E não é que, muitas das vezes, seus desejos acabam mesmo se realizando?!

            Como isso acontece ? Bem ... A primeira lição, não necessariamente a mais importante: sorrir. A gente vai envelhecendo e vai perdendo o jeito de sorrir. O sorriso espontâneo vai dando lugar ao sorriso conveniente e adequado a cada ocasião. Gargalhada, então… Nossa!!! Artigo cada vez mais em falta no mercado para maiores de 18 anos. Outra lição: Beijo e abraço. Por que a gente vai envelhecendo e vai economizando beijo e abraço? Olhar nos olhos, nem pensar.

            Além disso, não esqueça de se divertir com pequenas coisas. Muitos adultos acham que felicidade é ter o carro dos sonhos, o emprego dos sonhos  etc, e se frustram a cada conquista não alcançada. A criança não! Ela fica feliz se a mãe deixa de trabalhar um dia pra brincar, se ganha um pirulito, se pula numa poça d’água no parquinho, se toma um banho numa piscina improvisada com o amigo preferido. Elas não analisam tudo e todos e não procuram o pior nas pessoas ou situações. Elas mantêm as coisas simples.Na verdade, a maneira de olhar o mundo faz toda a diferença. A gente vai crescendo e vai endurecendo o olhar e desaprende a enxergar o que realmente interessa.

          Enfim, as crianças nos dão várias lições. Nos ensinam que hoje é o dia de sermos felizes porque amanhã é um dia que só se torna real quando vira novamente o hoje. Que beijo e abraço é bom molhado e apertado. E sorrir é de graça. Quando reencontramos o tom de brincadeira, aprendemos que a vida pode ser vivida com leveza e alegria.

          As crianças crescem, aprendem a ser adultas, enquanto nós, os adultos, devemos aprender de novo a sermos crianças. E tenho absoluta certeza de que você, quando começar a olhar mais atentamente para esses pequenos mestres, vai perceber essas e muitas outras lições a serem seguidas. E um dia você vai, como eu faço agora, agradecer o que aprendeu.

Uma criança pode sempre ensinar três coisas a um adulto: a ficar contente sem motivo, a estar sempre ocupado com alguma coisa, e a saber exigir - com toda a força - aquilo que deseja. (Paulo Coelho, "O Monte Cinco")



O conteúdo disponibilizado pelos colunistas não reflete necessariamente a opinião da ELO Internet

Christiane Lima

Christiane Lima

Assistente Social, Psicopedagoga e Especialista em Saúde da Família, formada pela Universidade Federal do Maranhão. Atualmente atuando na área de educação e há mais de 10 anos, trabalha na área de saúde junto a adolescentes e gestantes.

Contato para palestra clique aqui


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Comentários sobre "As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas..."

Cirlene Aguiar

Dona de Casa - MA
Se alguém descobrir o elixir de regressão para a infância quero ser a primeira a tomar. Que bom que é ser criança.
 

Claudete Vinhas

Comerciante - MA
As crianças realmente nos dão várias lições, aprendemos com elas até a mexer no computador, a tecnologia está mais para eles do que para nós adultos, ah! se o tempo voltasse gostaria de ser criança sempre.
 

Sandra Pinto

Turismóloga - MA
Criança fica feliz com qualquer coisa, com qualquer brinquedo, nós adultos desaprendemos a ser espontâneos, a ficar feliz com pequenas coisas.
 

André Parente

Téc. Informática - MA
Nós adultos costumamos remoer por muito tempo coisas negativas, pensamentos negativos, quando vemos uma criança na sua inocência brincando feliz pinta uma nostalgia daquilo que você viveu, de uma infância feliz.
 

Poliana Dias

Industriária - MA
Criança fica brava, faz birra, às vezes enche nosso saco, contudo logo está sorrindo, não sabe guardar rancor, ódio como nós adultos, ser criança é muito bom.
 

Almir Dantas

Professor - MA
Vamos envelhecendo e perdendo o jeito de sorrir, é que envelhecer é muito chato, ficamos muitas vezes dependentes dos filhos, da cama, dos remédios. Ser criança é falar o que pensa sem medo de dizer besteira, é correr, brincar, é tudo de bom.
 

Adriene Cardoso

Comerciante - MA
Que pena que eu deixei a infância ir embora, que sorrir é de graça, que banhar na bica quando chovia era tão gostoso, hoje as coisas são tão estressantes, tão corridas, tão disputadas. Que saudade da aurora da minha vida.
 

Duda Cabral

Dona de Casa - MA
Ser criança é realmente ser sábia e espontânea, ser criança é ser feliz, as crianças ensinam muitas vezes o adulto a sorrir a voltar a brincar. Ser adulto é realmente muito chato.
 

Wilma Santiago

Esteticista - MA
Nossa, quanta saudade da minha infância, tudo era muito bom, muito lúdico, só brincadeiras, nenhum problema. Que saudade.
 

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