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A leitura do mundo precede a leitura da palavra


 

             “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, repetia Paulo Freire. O objetivo era levar o aluno a assumir-se como responsável por sua aprendizagem, e também desmistificar a cultura letrada.O mero “letramento” da população, ainda que bem articulado, é insuficiente para fazer frente a um mercado de trabalho restrito e  altamente seletivo. As estatísticas comprovam que o desemprego é mais elevado entre os cidadãos de menor escolaridade. Sendo assim, podemos considerar o analfabetismo funcional como um dos grandes desafios do século XXI.

          As mudanças sociais acarretam mudanças funcionais, criam palavras e expressões que vão se incorporando e se firmando através da mídia. Temos lido e ouvido, freqüentemente, falar em analfabeto funcional. Pelo conceito tradicional, analfabeto é o indivíduo que não sabe ler e escrever. Hoje, saber ler e escrever, mas não ter capacidade para entender uma mensagem ou elucidar questões simples, é igualmente analfabeto, porque não há, no mercado de trabalho, função para ele.

               Segundo o Dicionário Interativo da Educação Brasileira1, o termo Analfabetismo funcional se refere ao tipo de instrução em que a pessoa sabe ler e escrever mas é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair sentido das palavras nem colocar idéias no papel por meio do sistema de escrita, como acontece com quem realmente foi alfabetizado. No Brasil, o analfabetismo funcional é atribuído às pessoas com mais de 20 anos que não completaram quatro anos de estudo formal. Mas a noção de analfabetismo funcional varia de acordo com o país. Na Polônia e no Canadá, por exemplo, é considerado analfabeto funcional todo adulto com menos de oito anos de escolaridade.

             Já a UNESCO define analfabeto funcional como toda pessoa que sabe escrever seu próprio nome, assim como lê e escreve frases simples, efetua cálculos básicos, porém é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas, impossibilitando seu desenvolvimento pessoal e profissional. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair o sentido das palavras, colocar idéias no papel por meio da escrita, nem fazer operações matemáticas mais elaboradas.

               Faz quase uma década que as habilidades para ler, escrever e fazer cálculos são avaliadas no Brasil e o analfabetismo funcional persiste entre os mais jovens. Ele já foi 22% (2001). Hoje, ainda soma 15% (2009). A julgar pelo ritmo, a batalha para erradicá-lo será longa. (Fonte: Instituto Paulo Montenegro/IBOPE )2

             Compreensão envolve muito mais que decodificação. São crianças que não se apropriam do significado das palavras. Mas vão galgando as séries porque, como copiam, conseguem cumprir algumas tarefas em sala . E o resultado disso é a enorme quantidade de analfabetos funcionais com diploma. No anseio de se apresentar estatísticas que denotem evolução no sistema educacional, mediante elevação do número de graduados e redução do número de analfabetos, os indicadores mascaram a realidade dos fatos. Assim, basta escrever o nome para ser incluído na categoria dos alfabetizados, ainda que se tenha um vocabulário restrito a umas poucas palavras.

           Outros dos principais motivos apontados para o analfabetismo funcional são alfabetização tardia e baixa escolaridade dos pais. Mas como resolver essa situação? Como baixar esses números alarmantes? Sem dúvida nenhuma que a educação é o caminho. Alfabetizar mais crianças com melhor qualidade.Também não devemos nos esquecer dos professores. Melhoria nos cursos de formação dos docentes, remuneração adequada, capacitação continuada, etc. Essa é a questão: qualidade e não quantidade.

            De acordo com o INAF (Instituto Nacional de Alfabetismo Funcional) existem três níveis distintos de alfabetização funcional: rudimentar, básica e plena, que são medidas através das habilidades que uma pessoa possui em matemática (numeramento) e leitura/escrita (letramento), o que, de fato nos interessa.

          O quadro abaixo relaciona os níveis de alfabetização com as determinadas funções:

 Leitura/Escrita :

         Nível Rudimentar - Localiza uma informação simples em enunciados de uma só frase, um anúncio ou chamada de capa de revista, por exemplo.

         Nível Básico- Localiza uma informação em textos curtos ou médios (uma carta ou notícia, por exemplo), mesmo que seja necessário realizar inferências simples.

          Nível Pleno- Localiza mais de um item de informação em textos mais longos, compara informação contida em diferentes textos, estabelece relações entre as informações (causa/efeito, regra geral/caso, opinião/fato). Reconhece a informação textual mesmo que contradiga o senso comum.

            Somente o nível pleno é considerado satisfatório, pois, permite que a pessoa possa utilizar com autonomia a leitura como meio de informação e aprendizagem, tornando-se um elemento independente dentro da sociedade e de qualquer grupo, já que têm meios suficientes para argumentar, questionar, reivindicar e até mesmo para se informar sobre determinado assunto.

              Podemos considerar o analfabetismo funcional como um dos grandes desafios do Brasil no século XXI. Infelizmente, hoje vemos que o Brasil optou pela quantidade a qualquer custo. Mesmo cidadãos com formação universitária correm o  risco de ficar à margem das tendências se o sistema educacional não incorporar novos parâmetros. Uma das chaves para a cidadania no próximo século é a educação permanente ao longo de toda a vida. Sonho ou possibilidade ?

"São necessários anos de leitura atenta e inteligente para se apreciar a prosa e a poesia que fizeram a glória das nossas civilizações. A cultura não se improvisa." (Julien Green)

 

 

Referências :

1Dicionário Interativo da Educação Brasileira - EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2002.

2http://www.ipm.org.br/ipmb_pagina.php?mpg=4.01.00.00.00&ver=por (acessado em 27.12.2011)

http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=132, visitado em 26/12/2011

http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/pesquisas/educacao.html (acessado em 27.12.2011)

http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=132 (acessado em 28.12.2011)

Ribeiro, V.M.; Vóvio, C.L.; Moura, M.P. (2002). Letramento no Brasil: alguns resultados do indicador nacional de alfabetismo funcional. Educação & Sociedade, V. 23, N. 81, pp. 49-70. Disponível em http://www.cedes.unicamp.br



O conteúdo disponibilizado pelos colunistas não reflete necessariamente a opinião da ELO Internet

Christiane Lima

Christiane Lima

Sou Assistente Social (formada pela Universidade Federal do Maranhão), Psicopedagoga, Especialista em Saúde da Família e professora universitária. Possuo experiências nas áreas de Saúde e Educação. Realizo palestras em empresas e escolas para alunos, funcionários e corpo docente.

Contato para palestra clique aqui


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Comentários sobre A leitura do mundo precede a leitura da palavra

Silvia Coelho

Tecnóloga - MA
Neste Brasil carecemos de tudo, de educação, saúde, segurança, e no princípio a educação é a base de tudo, sem educação, sem nos aprimorarmos em conhecimentos, ficamos sempre na estaca zero.
 

Amélia Dias

Enfermeira - MA
Temos que nos educar todos os dias, nos atualizarmos, só um diploma de nível superior não nos leva mais a lugar nenhum, temos que apostar na qualidade do aprendizado sempre.É uma vergonha o que se vê e escuta de pessoas que já estão até formadas.
 

Patrício Gomes

Engenheiro - MA
Na China o professor jamais falta um dia sequer de aula a não ser quando está muito doente, o aluno idem, e se o aluno falta tem que compensar levando para casa todas as tarefas. Quando o professor entra na sala de aula todos os alunos levantam e o cumprimentam respeitosamente. Aqui o professor leva cadeirada, murro, tiro. Eta educação maravilhosa dos nossos alunos, assim sendo vão ser analfabetos sempre.
 

Clara Veiga

Estudante - MA
No Brasil o que vale é a quantidade e não a qualidade, se algo não for feito urgentemente, teremos péssimos profissionais, só com o diploma sem nenhum critério, sem saber nada, educação de qualidade é o que precisamos.
 

Francisco Campelo

Professor - MA
No Brasil, principalmente nas Escolas Públicas é proibido reprovar aluno mesmo que ele não saiba nada, ele não pode ocupar a vaga mais um ano, então o Diploma lhe é concedido, assim vai galgando na marra todos os anos, e o resultado é péssimo.
 

Douglas Pessoa

Func. Público - MA
Hoje em dia não basta só ter curso superior, as Universidades são uma vergonha, quantos saem de lá sem saber nada, oito anos no colégio e mais 4 ou 5 de Universidade não foram suficientes, escrevem errado, falam errado, continuam analfabetos.
 

Karina Gonçalves

Func. Pública - MA
Nos concursos públicos, nas empresas, nos colégios, podemos ver quantos analfabetos funcionais existem, leem mas não sabem o que estão lendo, não sabem interpretar.
 

Estela Moreira

Autônoma - MA
O Brasil tem um índice enorme de analfabetos, realmente não basta só saber ler e escrever, é uma vergonha um País que não cuida da educação dos seus cidadãos.
 

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