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Violência na escola : Não adianta bater de frente.


           “ Um estudante de 17 anos, epiléptico e hipertenso, foi espancado na manhã de terça-feira por pelo menos cinco jovens na porta da Escola Estadual Professora Eugênia Vilhena de Moraes, na Vila Virgínia, periferia de Ribeirão Preto (SP), por ter se recusado a dar R$ 10 aos agressores. Dois deles, reconhecidos pela vítima, estudam no mesmo colégio. O estudante, que cursa o primeiro ano do Ensino Médio, teve traumatismo craniano e ficou internado...”                        (Folha de São Paulo, 01/07/2005)1

          Até há bem pouco tempo, a indisciplina e o comportamento emocionalmente instável dos adolescentes eram atribuídos à explosão hormonal típica da idade. Nessa etapa da vida, uma série de alterações ocorre nas estruturas mentais do córtex pré-frontal — área responsável pelo planejamento de longo prazo e pelo controle das emoções —, daí a explicação para ações intempestivas e às vezes irresponsáveis2. No entanto, pesquisas recentes mostram que essa não é a única explicação para a agressividade que tanto preocupa os pais. Para começo de conversa, vamos tentar definir violência escolar : “É uma transgressão da ordem e das regras da vida em sociedade. É o atentado direto, físico contra a pessoa cuja vida, saúde e integridade física ou liberdade individual correm perigo a partir da ação de outros”.3

          “Os jovens de hoje rebelam-se contra a autoridade, não respeitam os mais velhos, contradizem seus pais, cruzam as pernas e tiranizam seus mestres”.
A frase parece ser muito atual, porém foi dita a 2.400 a.C., pelo filosofo Sócrates na Grécia. Mas será que os jovens de hoje são mais agressivos que os de antigamente? E quais as razões que levam a tais atitudes? Violência e comportamento anti-social são importantes temas de reflexão e debate especialmente quando estão presentes no ambiente escolar .

          A violência nas escolas não é um fenômeno novo. Todavia tem assumido proporções assustadoras. Alunos humilhados, objetos escolares roubados, funcionários agredidos etc. Assim como esses, existem outros tantos exemplos de situações, dentro dos muros de uma escola, que precisam ser enfrentadas com o mesmo rigor com o qual lidamos com a violência do mundo em geral. É preciso que as escolas desenvolvam projetos que mostrem como a intolerância, a injustiça e o preconceito resultam em violência

          Uso do poder, intimidação de colegas e enfrentamento de professores e funcionários parecem não ter limites, trazendo prejuízos individuais e coletivos, além de instalar um clima de temor e distância entre aqueles que deveriam ser parceiros no processo educativo: o professor e o aluno. Especialistas afirmam que a agressividade manifestada na idade escolar pode evoluir de forma negativa na adolescência, se for tratada com permissividade pelos os pais. Nesse sentido, o educador exerce papel fundamental, passando por um intenso processo de modificação, reflexo dessas constantes mudanças na sociedade, as quais originaram novos desafios, demandas, instrumentos facilitadores e também inúmeros obstáculos.

            Diversas são as causas destes problemas, entre elas: frágeis referências morais, distorção de valores, questões familiares (dificuldades no estabelecimento de limites, regras, dinâmica familiar comprometida, violência doméstica etc.), problemas culturais, barreiras sócio-econômicas etc. Somando-se a estes, os desenhos animados na TV nos quais as personagens utilizam a violência para conseguir os seus objetivos, noticiários sensacionalistas nos quais morte e sofrimento são exibidos exaustivamente gerando uma espécie de banalização da vida e conseqüentemente uma gradual acomodação com a situação da miséria e violência aos quais somos expostos diariamente. Nesse contexto, a escola, torna-se apenas o local que reflete, como qualquer outro, o que a sociedade proporcionou.

            Muitos pais fecham os olhos na hora de educar um filho, não impõem limites e o resultado disso é o que vemos em nossa sociedade. Estabelecer limites é dar responsabilidade, o que implica em tornar nossos filhos, mais cedo, adultos responsáveis. Acontece que devido às exigências, as famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando-a à escola. No meio de toda esta confusão, estão as crianças, que, atuam conforme aquilo que observam e agem de acordo os estímulos do meio. Meio esse que por vezes oferece modelos de conduta e referências questionáveis. Por não ter uma mente formada e idéias próprias, se o grupo de amigos resolve ser agressivo, o jovem adere sem pensar nas conseqüências.  Por esse e outros motivos é que a família tem um peso fundamental no comportamento dos filhos adolescentes.

           É muito bom quando os pais compreendem o que o adolescente está passando. Afinal, algumas dessas atitudes representa apenas a insegurança característica da idade e o desejo de crescimento. Entendendo o que se passa, é mais fácil tolerarem algumas atitudes de auto-afirmação dos filhos. Nunca, porém, os pais devem permitir que as coisas cheguem ao ponto de gritos, zombarias, agressões físicas, verbais ou morais. Afinal, as atitudes inadequadas do aluno nem sempre são totalmente justificadas pela fase por qual passa.  Em suma, a agressividade deve ser combatida toda vez que superar os limites da educação e da civilidade.

          O professor e psicopedagogo Celso Antunes no texto “O sagrado e o profano na missão do professor”, que diz: ”a certeza de que possui uma profissão imprescindível, de que de sua ação no cotidiano se constrói o mundo em que se viverá. A imensa fé e crença de que sem professores uma sociedade não inventa médicos ou engenheiros, não faz surgir arquitetos ou mecânicos… O verdadeiro professor não pode ser guiado pela frieza de uma visão somente profana, mas também não pelo idealismo ingênuo de ser manipulado por sua crença autêntica...”.

         Mais que temer a influência do meio, os pais devem continuamente analisar os filhos, para que eles tenham condições de se defenderem de influências indesejadas. "Educar não é um jogo em que se determina quem vence ou perde", as regras incluem, direitos e limites que valem para todos. Ou mudamos os elementos básicos que alicerçam a sociedade atual - que propiciam o surgimento de situações de violência ou continuaremos a assistir, assombrados, a atos de vandalismo, agressões e loucura cada vez maiores.

          Enfim, não adianta bater de frente com a violência, pois empatia, solidariedade, justiça, honestidade, honra, cooperação, respeito ao outro não são dados de mão beijada, mas sim construídos através do exemplo, numa verdadeira parceria entre família e escola.

 

Referências :

1 http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0107200516.htm  (acessado em 17.11.2011)

2 www.dhnet.org.br/inedex.htm (acessado em 18.11.2011)

3Como Entender a Cabeça dos Adolescentes, Barbara Strauch, 256 págs., Ed. Campus.



O conteúdo disponibilizado pelos colunistas não reflete necessariamente a opinião da ELO Internet

Christiane Lima

Christiane Lima

Assistente Social, Psicopedagoga e Especialista em Saúde da Família, formada pela Universidade Federal do Maranhão. Atualmente atuando na área de educação e há mais de 10 anos, trabalha na área de saúde junto a adolescentes e gestantes.

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Comentários sobre Violência na escola : Não adianta bater de frente.

Estênio Miranda

Agrônomo - MA
Para quem teve uma educação rígida baseada nos conceitos indispensáveis em respeitar e ser respeitado, tenho pavor quando assisto essas violência e pensando como estarão meus filhos nesse momento, o que estarão fazendo.
 

Plínio Santana

Autônomo - MA
Tudo de bom e correto que ensinamos aos nossos filhos durante anos, dias a fio eles desaprendem em minutos com as más companhias e nós ficamos a ver navios perplexos.
 

Ismênia Caldas

Comerciante - MA
Todos os dias quando meus filhos vão para escola ou para rua fico inquieta, preocupada pensando como estão, como voltarão e se voltarão.
 

Dalva Assunção

Dona de Casa - MA
Fui educada dentro de princípios morais rígidos, e fico sem entender o que se passa com um jovem que agride mestres, amigos, pais. Tantos mestres que amavam sua profissão têm pavor de voltar à sala de aula, o que se tem visto ultimamente é de arrepiar.
 

Catarina Dias

ESTETICISTA - MA
A distorção de valores, os conceitos negativos, a influência permissiva dos pais serão fatores determinantes do seu comportamento, se você permitir hoje, vai chorar amanhã com certeza.
 

Douglas Pessoa

Educador - MA
O jovem agressivo de hoje, com certeza será o adolescente, o adulto violento de amanhã, disso não tenho a menor dúvida, se não educarmos nossos filhos com princípios morais nós também seremos suas vítimas.
 

Silvio Luís

Func. Público - MA
Os pais precisam urgentemente impor limites aos seus filhos, fico horrorizada quando vejo pais que ainda incentivam a violência mandando o filho bater, o filho tem sempre razão, quanta cegueira.
 

Carmen Goulart

Professora Universitária - MA
Realmente, a violência nas escolas têm assumido proporções assustadoras, os professores sofrem agressões constantes e isto é muito preocupante, aonde vamos chegar com tanta violência e falta de princípios?
 

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