| Alta | 04:17h | 5,2m |
| Baixa | 10:45h | 1,1m |
| Alta | 16:39h | 5,1m |
| Baixa | 22:54h | 1,4m |
| Compra: | R$ 2,0032 |
| Venda: | R$ 2,0038 |
| Compra: | R$ 1,9968 |
| Venda: | R$ 1,9974 |

O dia em que uma "anja" entrou em minha sala.
"Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam."
(A Hora da Estrela) Clarice Lispector.
Ela Chorou como uma criança, sem qualquer receio em demonstrar seu descontentamento. Suas lágrimas não eram salgadas, mas sim amargas... Amargurada pela insípida vida a qual acreditava que o destino impunha-lhe injustamente. E a engolia “a seco” como ela bem descrevia, cheia de propriedade.
Viúva, mãe de sete filhos; criava ainda quatro netos, em uma casa de dois cômodos, a qual não acomodava absolutamente nada e muito menos alguém. Começou a confessar-me que, nesse exato dia, em plena 10h da manhã, suas panelas ainda reluziam (de tão vazias), penduradas na parede.
Na mesma fração de minutos em que se lamentava, também me tranqüilizou, pois se lembrara que dois netos eram flanelinhas. Estão aprendendo o “ofício” com o tio, que já é “profissional”, explicou-me. Deviam trazer “algum” pra casa.
Sem dúvida, uma mulher forte e frágil. Talvez, em uma das raras ocasiões, no alto de seus 76 anos de pura experiência, deixei-a dignamente dar-se ao direito de fraquejar. E enquanto eu sentia-me frágil e impotente, as lágrimas deslizavam pelo seu rosto de maneira firme e decidida. Então emudeci e as lágrimas falaram.
De repente ela ergueu-se como uma fortaleza:
- Não quero que ninguém me veja assim “corcunda”, olhando pra baixo. Vão dizer que tô ficando velha.
E continuou, sem que eu conseguisse esboçar qualquer palavra:
- A doutora tá certinha e se Deus quis assim é porque confia em mim.
Abraçou-me e completou:
- Vô indo. Lembrei que lá em casa tem um “restim” de feijão e farinha. Vou fazer pros “menorzinho”. Fique com Deus.
E assim foi deixando a minha sala apressadamente. Saiu e puxou a porta atrás de si.
Levantei e fui atrás para entregar-lhe os remédios que havia esquecido. Alcancei-a já na porta de saída.
Ela agradeceu-me novamente, beijou minha mão e disse:
- Deus lhe abençoe. A senhora é uma “anja”.
Fiquei olhando-a afastar-se. Virei-me para cumprimentar alguém que entrava e quando a procurei novamente, ela já havia sumido.
Agora tenho certeza que anjos existem, e nesse dia uma “anja” entrou em minha sala.
São Luís (Ma), 28/01/2010
(Christiane Lima)
| Contato para palestra | ![]() |
Pedro Cavalcante
Comerciário - MAÉ uma lição de vida sem mágoas, sem rancor, só sofrimento, mas um sofrimento conformado, que só a fez crescer.