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“O mais importante na construção do homem não é instruí-lo – haverá algum interesse em fazer dele um livro que caminha? mas educá-lo até aqueles patamares onde o que liga as coisas já não são as coisas, mas os rostos nascidos dos laços divinos”. (Saint-Exupéry)
Sobre o título deste artigo, não formulem idéias precipitadas, ou melhor, deixarei para que cada um tire as próprias conclusões. A princípio pode até parecer estranho ou desconectado do contexto, mas... Ihhh, acho que falei demais!
Pois bem, então vamos lá... Torna-se cada vez maior a preocupação dos pais sobre o que é certo ou errado na educação dos filhos. Qual a importância da Escola, da família e do afeto? Existem regras nesse processo?
Chamou-me a atenção, de modo especial, a influência do fator emocional sobre a aprendizagem da criança, a ponto de me perguntar quem terá mais chances na vida: quem tiver um alto desenvolvimento cognitivo, ou quem, não o tendo tão favorável, consegue, em contrapartida, ter controle sobre suas emoções? Se o aluno não aprende é porque tem problemas emocionais? E as crianças que aprendem, não têm problemas emocionais?
A criança leva para o ambiente escolar toda a carga afetiva de seu desenvolvimento com seus familiares, os problemas emocionais surgirão nos contatos que se estabelecerá e, as crianças que tenham desenvolvido a inteligência emocional saberão lidar com as frustrações que este ambiente e suas relações lhes proporcionarão. Cabe aos pais e aos educadores envolvidos nesta relação propiciar um ambiente acolhedor e de compreensão para que as crianças possam desenvolver suas potencialidades amplamente
Piaget1 afirma que a afetividade não modifica a estrutura no funcionamento da inteligência, porém é a energia que impulsiona a ação de aprender. Em outras palavras, A afetividade não modifica a estrutura no funcionamento da inteligência, porém, poderá acelerar ou retardar o desenvolvimento dos indivíduos, podendo até interferir no funcionamento das estruturas da inteligência. Tais interações podem resultar para a criança sentimentos como de competência ou de frustração, inferioridade, fracasso e incompetência.
No dicionário2 on line encontramos a seguinte definição de afetividade: Capacidade de exprimir-se na linguagem a emoção que nos despertam as idéias enunciadas, bem como a de despertar nos outros idêntica emoção.Conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões. Na verdade, o que quero tratar aqui é um conceito diferente do usual. Basicamente é na cultura latino-americana que existe a idéia de associar afetividade à idéia de carinho, de bondade, de ternura. Na realidade, a tendência atual é associá-la à segurança e você passa segurança para uma criança quando educa com firmeza no cumprimento das regras, das normas, porque é isso que efetivamente prepara para a vida.
Eu diria que a alfabetização emocional inicia-se na família e, posteriormente, amplia-se nas relações na escola. Nesses espaços, o indivíduo começa a lidar com as emoções que lhe acompanharão por sua vida: o amor, o desejo, as incertezas, as inseguranças, as ansiedades e tantas outras que precisarão ser apercebidas e lapidadas durante a formação da sua personalidade.
Conforme a criança vai crescendo, as crises emotivas vão se reduzindo - ataques de choro, birras, surtos de alegria, cenas tão comuns na infância - vão sendo melhores controlados. Chega a adolescência e lá vem “doses extras” de emoção novamente. E por toda a vida, razão e emoção vão “duelando”. Portanto é fácil perceber que todo processo de educação significa também a formação de um sujeito. A criança seja em casa, na escola, em todo lugar; está se constituindo como ser humano. Crianças sem base afetiva estável carregam consigo medos e incertezas sobre suas possibilidades de aprender, que se manifestam como vínculos negativos com a aprendizagem.
Nesse conjunto, obviamente, a família exerce papel crucial, pois é dentro da família que a criança terá suas primeiras trocas de experiências, conhecerá seus primeiros sucessos e fracassos, medos e frustrações. A família é, portanto, a unidade básica de crescimento do ser humano, configurando o seu percurso intelectual, emocional e social. Dentro da família, são inúmeras as correntes de sentimentos de todos os graus de intensidade, nos quais a personalidade e as reações sociais da criança se desenvolverão.
Aonde quero chegar com todas essas explicações? É o seguinte: Antigamente costumava-se atribuir à criança, toda culpa por seu fracasso escolar. Hoje, porém, já se reconhece que essas situações não se dão no vazio, e sim em contextos, tanto situacionais, quanto interpessoais. Nesse ponto que podemos evidenciar claramente o quanto o papel da família (não somente o da escola) pode ser decisivo na determinação da aprendizagem, pois de forma deliberada ou inconscientemente, os pais podem permitir ou obstruir o processo de construção da individualidade de seus filhos.
É inegável que mais do que responsáveis pela qualidade de vida, os pais são construtores do aparelho psíquico dos seus filhos. Ao nascer, o ser humano é totalmente dependente dos adultos, especialmente de seus pais ou daqueles que fazem função paterna e materna. Pais autoritários, agressivos e abusivos que tendem a humilhar os filhos com castigos, gritos, críticas e agressões podem ter filhos agressivos. Estas crianças revelam sua agressividade, na escola, depreciando seus colegas, com apelidos pejorativos, quando mostram todo o sentimento de revolta e ressentimento. Em geral são sensíveis às criticas, indisciplinados e procuram de todas as formas chamar a atenção dos professores.
Por sua vez, os educadores podem proporcionar a estas crianças atividades em que possam liberar suas emoções e energias acumuladas ao longo das atividades, assim como demonstrarem ser dignos de confiança para que estas possam ter segurança em lhes contar o que verdadeiramente possam estar lhes incomodando, pois embora trazendo uma carga genética que também interfere no seu destino, o fator genético será menos influente, quanto mais influente for a educação.
Defendo um modelo de educação que seria uma espécie de meio termo entre a escola mais tradicional e a atual, ou seja, nem tão radical nem tão permissiva, mas parece que o meio termo entre os dois não está devidamente definido para alguns. Ninguém hoje pode defender aquele rigor punitivo nem uma ilimitada permissividade. Entre aquele extremo e esse tem que haver um diálogo, um debate. Ai sim, estará emergindo a afetividade, que é baseada no respeito.
Isto é aprendido no lar e praticado na escola e em todo lugar. Se em nenhum lugar isso é aprendido, surge a criança que não pode aceitar recusa e não sabe conviver em sociedade. É neste intuito que a educação afetiva é importante.
O que é inegável e comprovado é que quanto maior o envolvimento dos pais no processo de educação dos filhos e estiverem conscientes sobre a importância das relações saudáveis em família, maiores serão as probabilidades de sucesso.
Aos educadores, minha sugestão é que quanto maior a compreensão sobre as experiências anteriores da criança, bem como das forças que atuaram sobre ela, maior será o êxito.
Justo mesmo é que a criança que não recebeu uma influência benéfica nos primeiros.anos de sua vida, possa recebê-la mais tarde, com aproveitamento. Afinal de contas, é preciso que se valorize o trinômio família-aprendizagem-escola de cuja harmonia depende o desenvolvimento satisfatório da criança.
Como diz o Educador Celso Antunes3: “Se assim somos é porque assim imitamos. Se sonharmos um amanhã melhor e espaços mais civilizados temos que continuar batendo na insensível tecla de que a educação infantil é tudo, e o resto quase nada”.
Ah, e por fim, com relação ao título, “Bota a gente calça e calça a gente bota” : Quando criança na escola, li um texto muito engraçado com esse título, a turma inteira se divertiu. Virou uma espécie de “piadinha”, no entanto rica em significados e interpretações. Simples e marcante! Tudo bem confesso que, além disso, sempre achei muito estranho ou no mínimo curioso esse trocadilho ;-)
REFERÊNCIAS :
1PIAGET, J.; Inhelder, B. A psicologia da criança. 11 ed. Rio de Janeiro: Bertrand, 1990.
2 http://michaelis.uol.com.br/ (acessado em 25/09/2011)
3 ANTUNES, Celso. A Construção do Afeto. Augustus. São Paulo. 1999
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TXmxCheOXIVl - AMTo think, I was cofneusd a minute ago.