Logomarca Elo Internet

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Usuários



E-mail: Senha:

-

Fale Conosco

Tábua de Marés

Alta 04:17h 5,2m
Baixa 10:45h 1,1m
Alta 16:39h 5,1m
Baixa 22:54h 1,4m

Dólar - Cotações

Dólar EUA - 17/05

Compra: R$ 2,0032
Venda: R$ 2,0038

Dólar EUA (PTAX) - 17/05

Compra: R$ 1,9968
Venda: R$ 1,9974

ELOgio

" Orgulho tecnológico do Maranhão! Parabéns ELO! "

FABIO MARCIO TAVARES LIMA

Ver mais »

Esposas de presidiários : Cárcere em liberdade !


“Tudo está fluindo. O homem está em permanente reconstrução; por isto é livre: liberdade é o direito de transformar-se.” (Lauro de Oliveira Lima)

          Todos as semanas, uma multidão acumula-se em frente aos portões de prisões, penitenciárias e delegacias espalhadas pelo Estado do Maranhão, carregando pacotes de bolachas, refrigerantes, pizzas e outras guloseimas típicas, sem uma mínima estrutura, de abrigo, nem sanitária, estão no tempo, sol, chuva, frio... São os parentes dos maranhenses presidiários (1).

          As visitas custam caro para os familiares. Além do gasto com transporte, soma-se a despesa com a refeição do dia. Na maioria das vezes, também é a família que fornece ao detento sabonetes e outros produtos, como creme dental e papel, para suprir suas necessidades básicas de higiene. O dinheiro para essas compras falta em casa. Além de se adaptar à vida sem um de seus membros, a família tem que se adaptar às normas e regras do presídio. Percebe-se neste sentido a prisão como forma de disciplina através do poder sobre o corpo não somente dos reeducandos como também de seus familiares.

          O afastamento de um de seus membros (na maioria dos casos o homem) provoca importantes rearranjos nas relações sociais. Diante da prisão a família se vê em uma nova situação: Como, por exemplo, garantir a sobrevivência dos demais membros, lidar com os problemas de revolta dos filhos, preconceito da sociedade em relação à família de preso e às normas e imposições da própria prisão, visto que a família acaba sendo inserida no jogo de poder das práticas prisionais.

         Frente a toda esta problemática percebemos que a família ou acaba depositando nas mãos do reeducando e da sociedade a solução para todos seus problemas, ou então as famílias passam a articular diversas atividades para enfrentar o afastamento do familiar preso, como manter os laços de parentesco e vizinhança estreitos, a fim de "ajudarem-se" mutuamente, ou desenvolverem alguma atividade que lhes proporcione alguma renda, sendo que a maioria das atividades exercidas no mercado de trabalho são empregos mal remunerados e que não exigem formação específica, ou até mesmo inserem-se em programas de auxílio à população de baixa renda.

          Nessas famílias compostas por mãe e filhos as crianças entram muito cedo no mercado de trabalho, o que resulta em mau aproveitamento na escola e alto índice de repetência. Quase todas as crianças abandonam a escola muito cedo e se transformam em analfabetos funcionais

          Para a sociedade não existe “ex-bandido”, dessa forma a segregação de familiares de presos é muito comum, como se a pena pudesse estender-se aos ascendentes, descendentes e cônjuge do sentenciado. A vergonha pelo crime que alguém cometeu ou o medo do preconceito faz com que os parentes, às vezes, ocultem ou minimizem a gravidade do ato que levou à condenação.O preconceito também é explicitado pelos funcionários do sistema prisional. As mulheres que visitam familiares e amigos nos presídios são vítimas de situações constrangedoras e humilhantes e, em geral, são maltratadas e alvo de piadas grosseiras.

          A Justiça condena o criminoso, mas a condenação da sociedade, da família e dos vizinhos não tem tempo definido para acabar. Dessa forma, essas famílias ficam esquecidas e também  à mercê  do crime organizado. A grande maioria apresenta um sentimento de passividade e em relação à saída do familiar da prisão, no sentido de que este resolva a situação econômica, os problemas com os filhos, depositando a vida da família nas mãos dos reeducandos. Sabemos que estes ao saírem não conseguem prover todas essas necessidades.

          Sendo assim, a estigmatização do ex-presidiário é um dos fatores que dificultam sua reintegração o que acaba provando sua nova exclusão e conseqüentemente, o retorno à vida do crime e possível e provavelmente à vida no cárcere em algum momento futuro. Esse contexto afeta toda a sociedade que recebe os indivíduos que saem desses locais da mesma forma como entraram ou piores. Ou seja, A situação nos presídios brasileiros é caótica e não atendem às finalidades essenciais da pena quais sejam punir e recuperar. É necessário que sejam implementadas políticas públicas voltadas para a organização desse sistema e promover uma melhor efetivação da Lei de Execução Penal.

            Nesse contexto cresce a importância da adoção de políticas que efetivamente promovam a recuperação do detento no convívio social e tendo por ferramenta básica a Lei de Execução Penal e seus dois eixos: punir e ressocializar. A falta de políticas públicas e o descaso com as normas já existentes fazem com que a reintegração se faça cada dia mais longíqua do que se necessita; pertinente se faz uma reavaliação do que se tem e do que se precisa e mais do que ficar no papel dar sentido prático às propostas que existem em relação a essa recuperação e as que já estão sendo discutidas.

            Enfim, a família não deve ser vista como uma mera vítima estática da aplicabilidade da Lei que a pune compulsoriamente; ela deve ser percebida como peça-chave para o trabalho de diminuição da reincidência.  Não perceber a importância da família nesse contexto é não investir na possibilidade de resgate, na diminuição da reincidência, no retorno da violência a níveis aceitáveis. Tal atitude traz a família para o centro das discussões como mais uma possível parceira, trabalha a sua auto-estima, agrega valor ao trabalho feito nos Estados e oferece sustentáculo estrutural para futuras relações dessa família, que, a partir dessa visão, inclusive passará a se perceber cidadã.

 

 

“Não deveremos nos esquecer que mesmo a liberdade tem suas normas, ela não deve ser proliferada ao acaso desordenadamente, pois desta forma passará a ter uma conotação próxima à marginalidade.” (Ivan Teorilang )

 

 (1)  Consideramos aqui como presidiário aquele que deverá cumprir , pelo menos, parte de sua prisão em uma unidade prisional, ou seja aquele que não  pode cumprir sua pena em liberdade desde o início da Execução criminal. Este tipo de preso, geralmente, é encarcerado por ter cometido um delito grave ou porque apesar de ter cometido um delito de menor gravidade, já apresentava antecedentes criminais e/ou reincidência , assim, são aqueles considerados de maior perigosidade criminal e que, por conseguinte, necessitam, ser isolados do convívio social direto e livre , por algum tempo.

 

 

REFERÊNCIAS :

 

http://br.monografias.com/

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-auxilio-as-familias-dos-presos?page=5

http://www.folhabv.com.br/Noticia_Impressa.php?id=65609



O conteúdo disponibilizado pelos colunistas não reflete necessariamente a opinião da ELO Internet

Christiane Lima

Christiane Lima

Assistente Social, Psicopedagoga e Especialista em Saúde da Família, formada pela Universidade Federal do Maranhão. Atualmente atuando na área de educação e há mais de 10 anos, trabalha na área de saúde junto a adolescentes e gestantes.

Contato para palestra clique aqui


Outros posts deste colunista

Leia também



Comentários sobre Esposas de presidiários : Cárcere em liberdade !

Juliano Pessoa

Téc. Informática - MA
Se o País, as autoridades competentes não tomarem providências urgentes em relação ao sistema carcerário brasileiro, à saúde, à educação, teremos um País de miseráveis doentes. Muitas famílias de presos aqui afora são coniventes com o próprio, pois levam armas, drogas, celular e outras coisas proibidas para dentro dos presídios.
 

Wilma Sposito

Comerciária - MA
Concordo com o comentário do Gário, e a família das vítimas? Ficam sofrendo e ameaçadas aqui fora por crimes tão brutais. Concordo tambémcom a Helena, eles deveriam trabalhar para se sustentar dentro das prisões, não é justo que trabalhemos por eles, que nossos impostos tenham que ser usados para sustentar bandidos. Você está certa quando fala da família dos presos, principalmente dos filhos.
 

Christiane Lima

São Luís - MA
Cara Helena, Você mencionou um ponto muito importante o qual também acredito e defendo. Com certeza essa seria uma política a ser aplicada para que os presidiários se tornassem mais úteis ã própria família, amenizando os danos causados, menos ociosos e com certeza menos onerosos à sociedade, pois nos custa caro mantê-los e não vermos os resultados, ou seja, recuperados e ressocializados, não é verdade ? obrigada pela participação. Christiane Lima
 

Christiane Lima

São Luís - MA
Prezado Gário, obrigada pela sua participação e sua observação é bem pertinente, no entanto, e nenhum momento deixo de lado as vítimas da violência dessa pessoas. Defendo sim a punição destes, claramente em alguns parágrafos. Acredito é que é necessário uma reorganização para que esta punição tragga resultados positivos para nossa sociedade e não apenas os devolvam piores do que entraram. Mais uma vez obrigada e espero sempre contar com sua colaboração. Christiane Lima
 

Magda Cortes

Professora - MA
Muitas vezes a família do preso sofre com ameaças constantes, e a família da vítima se sente constantemente ameaçada pelo seu executor, já que as fugas são constantes, o ódio continua. Li semana passada que um empresário, ex-presidiário hoje só emprega em sua empresa ex-presidiários de bom comportamento, procurando ressocializá-lo, isto é muito bom, uma grande chance para quem sabe aproveitar
 

Helena Castro

Educadora - MA
O setor prisional no Brasil é uma piada, acho no entanto que os presos deveriam trabalhar nos presídios para se sustentarem e à sua família aqui fora, nós os sustentamos com nossos impostos pagos com dificuldades. A família aqui fora sofre com todo tipo de preconceito, e os filhos então, nem se fala.
 

Gário

universitário - MA
Voce falou apenas de uma das vítimas do presidiário: sua própria família. Faltou falar das famílias( e dos traumas) daqueles que foram vítimas dos sequestros, assassinatos, estupros e roubos praticados por eles e que exatamente por isso eles foram parar atrás das grades ! No Brasil, além das leis serem benevolentes com criminosos , é impressionante como há tantas vozes em defesa e preocupadas com os bandidos ! As vítimas são completamente esquecidas !
 

Adailton Meneses

Func. Público - MA
É um tema de suma
importância, já que essa semana uma Juíza que atuava na área de execução penal foi assassinada por cumprir o seu dever, e muitos outros magistrados, inclusive no Maranhão estão em Lista para serem executados, as prisões brasileiras são verdadeiros antros, não há separação de indivíduos por categoria de crime cometido, ele sai pior que entrou, contudo, as penas são muitos brandas, o Código Penal é falho e aí quem sofre também é a família que também está presa aqui fora.
 

Comentar

Nome:



Profissão:



E-mail:



Estado:



Comentário:



Digite os caracteres abaixo







Siga-nos pelo Orkut Siga-nos pelo Twitter

O que você achou dessa página?


Certificações:


CSS3 Validado

Dia Mundial das Telecomunicações | Dia Mundial das Comunicações