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DEOCLECIANO MENEZES COELHO

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SOLIDARIEDADE : Ganha quem dá e quem recebe.


 

      Todas as vezes em que penso em solidariedade ou trabalho voluntário, a primeira coisa que me vem na mente é o seguinte fato : Certa vez, um jornalista que entrevistava Madre Tereza de Calcutá disse-lhe que, embora admirasse o seu trabalho junto aos pobres e enfermos, considerava que o que ela fazia, diante da enorme necessidade das pessoas, era como uma gota d’água no oceano.

      Madre Tereza, com a serenidade que lhe era peculiar, respondeu:

      - Sim, meu filho, mas sem essa gota d’água o oceano seria menor.

      Assim como Madre Teresa eu poderia enumerar aqui outros tantos exemplos significativos. Além disso, posso afirmar, a partir de minha própria experiência (www.projetocriar.elo.com.br) que o voluntariado pode ser um verdadeiro divisor de águas na vida de qualquer pessoa, pois gera mudanças de atitudes e valores. Mas, o que cada um pode fazer ? por onde começar ? Como se diz popularmente, “vamos começar pelo começo”. Segundo definição das Nações Unidas, "o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos..."1

      Na verdade, o nascimento formal do voluntariado teve enfoque na benemerência. Na época, os problemas sociais eram entendidos como “desvios” da ordem dominante e atribuídos a indivíduos “em desgraça”, que por não terem oportunidade de reintegrar-se à sociedade, necessitavam da caridade.  Neste contexto social paternalista, rigoroso e excludente o “voluntariado de benemerência” era concebido como atividade exclusivamente feminina e baseado em rígidos valores morais. A partir do século XX, as instituições filantrópicas assistenciais passaram a ter a intervenção do poder público e o atendimento à população de baixa renda virou política pública.

      Com o passar do tempo, o Estado ajustou seus orçamentos e diminuiu os financiamentos da assistência social. A questão social passar a ser uma co-responsabilidade entre o Estado e a sociedade civil, incluindo a atuação de organizações sociais, fundações e empresas. Dessa forma, ganha espaço o trabalho voluntário como uma alternativa viável para intervenção nos problemas sociais. O ideal é claro, é que o Estado fosse capaz de arcar com essa situação, provendo as famílias de baixa renda, não com atitudes meramente assistencialistas, mas com dignidade e respeito aos seus direitos como cidadãos. Infelizmente nada é assim e não podemos esperar de “braços cruzados” que o Governo faça sua parte. Também não é o bastante só criticar ou indignar-se com tudo. É necessário “arregaçar as mangas”, agir e dizer: “vou fazer a minha parte”.

      Bem, falar de trabalho voluntário não é novidade alguma, mas especialmente neste artigo eu gostaria de abordar um outro aspecto : o voluntariado jovem. O que geralmente ouvimos ou observamos é que, em sua grande maioria, os adolescentes (ou “aborrescentes como costumam ser pejorativamente denominados) têm carregado uma imagem mentalmente padronizada de que não sabem o que querem, são inconseqüentes e não são capazes de assumir responsabilidades, isso porque não costumamos vê-los ocupados espontaneamente (leia-se: não é a regra) com questões sociais  que envolvam o bem-estar, qualidade de vida e solidariedade ao próximo. Afinal, como exigir a participação daqueles que não são nem estimulados, nem preparados a participar? Oportunizar aos adolescentes chances de fazerem parte da resolução de problemas reais, é como dar-lhes de presente uma nova concepção de vida, produzindo novo sentido ao seu comportamento, definindo rumos diferentes às suas atitudes para com seus semelhantes e o mais importante: transforma em experiências significativas a avalanche de informações deturpadas a que estão expostos.

      Todos sabem que habilidades e hábitos de trabalho, quanto mais cedo incentivados, melhor. Sendo assim, eu diria que ajudar o próximo faz parte do processo de aprendizagem, do crescimento pessoal e por que não, profissional ?  Exercendo esse  trabalho, ele pode descobrir competências profissionais, novas habilidades, experiências, adquirir contatos e elevar auto-estima. Conheço muitos exemplos de adolescentes que encontraram na prática da solidariedade uma possibilidade concreta de ajudar a construir um mundo melhor. Seria puro idealismo? Pois como estes, existem milhões em todo o mundo acreditando e adotando atitudes que geram mudanças positivas, multiplicando esforços e promovendo transformações na vida das pessoas.  O jovem não é apenas o beneficiado, mas também o promotor da transformação social. 

     Infelizmente ainda existem alguns que imaginam que o fato dos adolescentes assumirem atividades “extras” pode resultar em prejuízos nas notas escolares etc e ainda argumentam : “Na sua idade eu também sonhava em mudar o mundo”. Eu diria que isso é desperdiçar todo a energia transformadora que o jovem pode exercerem seu contexto social. Acreditem, isso é possível. As crianças de hoje construirão o futuro de amanhã, e a solidariedade é a fiel depositária das esperanças de um mundo menos desigual. Então, mais do que nunca temos que educar essas crianças com base em valores éticos e de responsabilidade social individual. É dessa forma que irão tornar-se adultos solidários, comprometidos e conscientes de que lutar para assegurar os direitos humanos e sociais é uma responsabilidade de todos nós.

  Portanto, não vamos subestimar a capacidade mobilizadora dos jovens. Vamos delegar-lhes responsabilidades, tenho certeza que vale a experiência. Eles são incansáveis quando algo lhes interessa, não é verdade ? então basta mostrar-lhes que ser solidário também pode ser divertido. Como fazer isso ? dando o exemplo e acreditando que é dessa forma que é possível mudar o mundo.

 

REFERÊNCIAS :

1http://www.voluntarios.com.br/oque_e_voluntariado.htm (acessado em 03/08/2011)

www.projetocriar.elo.com.br



O conteúdo disponibilizado pelos colunistas não reflete necessariamente a opinião da ELO Internet

Christiane Lima

Christiane Lima

Assistente Social, Psicopedagoga e Especialista em Saúde da Família, formada pela Universidade Federal do Maranhão. Atualmente atuando na área de educação e há mais de 10 anos, trabalha na área de saúde junto a adolescentes e gestantes.

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Comentários sobre SOLIDARIEDADE : Ganha quem dá e quem recebe.

José Carlos

Educador - MA
Felizes aqueles que ajudam o próximo, com certeza ficam mais próximos de Deus, seja velho, jovem, em qualquer idade realmente lava a alma, todos nós devemos fazer algo em benefício de alguém. Aqueles que não o fazem e só olham para seu umbigo, sentirão a ira do Senhor mais cedo ou mais tarde.
 

Dâmares Augusto

Educadora - MA
Todas as vezes em que participo de uma obra social e procuro fazê-lo sempre, me sinto leve, realizada, entendo que se posso fazer minha parte fico de consciência tranquila. Pobre de espírito aqueles que não pensam assim, que só pensam em dinheiro, que tudo tem de ser pago.
 

Juliano Pessoa

Professor - MA
O Estado só ajusta seu orçamento para o que não presta, para o social, saúde, educação, segurança nunca tem dinheiro, há sim muitos cortes. Se todo mundo se doasse um pouco em favor de alguém o mundo seria bem melhor.
 

Ronaldo Muniz

Secretário - MA
Realmente, faço trabalho voluntário em igrejas e isso foi um divisor de águas muito grande em minha vida como você fala. Os pais são responsáveis pela conscientização de seus filhos, se forem educados desde cedo serão ótimos adultos.
 

Francisca Diniz

Func. Pública - MA
O que se faz de bem aqui faz bem à alma, quem dera os jovens tivessem a consciência da benemerência, se todos tivessem sua visão social, se todos nos mobilizarmos o resultado será grandioso, se o Estado não faz a sua parte, façamos a nossa.
 

Catarina Dias

Dona de Casa - MA
Se fizermos o bem, se fizermos a nossa parte estaremos em paz sempre com nosso espírito. Conheço seu Projeto Criar e sei que você é uma é pessoa do bem sempre disposta a ajudar. Faça-o sempre sem olhar a quem, mesmo que não seja bem remunerada, não importa, só as pessoas egoístas e pobres de espírito não ajudam os outros, o que você faz aqui retorna em, benefícios para você e seus filhos, quem não acredita em Deus não sabe realmente o que é ser feliz ajudando a quem precisa.
 

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