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EU SÓ TE DIGO UMA COISA: NÃO TE DIGO NADINHA...

Leia a crônica desta semana do mundano jornalista

Imagem: Alex Palhano por Rafael Louz
Imagem: Alex Palhano por Rafael Louz

Pra quem chegou agora... Sou viciado em Cinema e música; imagens e letras. Design, moda, espetáculos, viagens e afins. Uso drogas, como Coca-Cola Light e durmo com o celular do lado. Presto muita atenção em palavras lançadas e assumo: sou um caçador. De tendências, de linguagens... E de gentes! Uso óculos. Afino olhares (os meus, principalmente) e tenho mania de amolar a faca, ou a língua. Tanto faz. Sim: sempre tive vocação pra ser profeta. Do meu jeito, faço minhas previsões e apostas. Tô ganhando, só não tenho sorte pra sorteios nem dados marcados.

Tenho forte tendência pra ser rico. Nasci pra isso, sem nenhuma herança; fora o DNA de Lurdinha Palhano (soma barra e que conta muito, você nem imagina). É óbvio: ainda não rolou essa vida milionária que mereço. Não me conformo, mas aceito numa boa o “estilo” que tenho; me divirto como posso, parcelo em quantas vezes puder minhas felicidades e transgressões. Já joguei sujo e dei calote; já senti culpa e aprendi a perdoar; já vendi tudo. Doei muito e depois comprei tudo de novo. Sei sobreviver; não tenho problemas com reinvenção. Vivo num eterno curso “de como seguir adiante depois de tudo”. Matriculado e calejado. Já fui reprovado e vivo de recuperação. Meu coração nunca saiu bom da "rehab". Eu nunca mais fui o mesmo; sempre.

Quis morrer, mas passou. Adio a vontade de não me sentir vivo, doenças, grandes dores e coisas incuráveis. Tenho, por enquanto, uma tatuagem (é grande) e muitas cicatrizes. Para as feridas: milagre e mertiolate. Sinto na pele. Eu me arrepio. Curto paixões, sofro de amores; sexo nunca é demais e álcool ajuda sim a achar as pessoas mais interessantes. Tenho fé. E segredos. Não guardo mágoas; eu simplesmente tenho algumas. Respeito diferenças e convivo muito bem com o bom gosto. Eu compartilho, na vida real e no Facebook. Sou bioseletivo. O diabo existe. E são muitos...

Se tiver remédio tomo. Reconheço quando estou sobre efeitos colaterais. Passei dos 30 faz um tempo. Evito rugas; deixo as marcas. Quero me congelar no fogo, e em movimento. Curto tecnologias em cápsulas e sem fio. E quanto à vida, sou um oportunista de plantão. Nada passa por mim passando... Pelo menos, esforço-me para apanhar. Costumo usar as próprias mãos. Quando não, os pés estão valendo e chuto o balde. Posso devorar pessoas com 10 talheres. Tenho alma de gordo. Como com os olhos. Retribuo piscadelas de belezas fáceis e difíceis. O que não é bonito, nem feio, eu chamo de “exóptico”.

Eu me entrego. Nem sempre durmo depois. Acendo cigarros que não fumo. Tenho fundamentos. Mudo de opinião. E sou radical: odeio axé, forró, sertanejo e pagode. Falo com os olhos. Nunca gostei mesmo de Fortaleza. E tenho a impressão de que o mundo tá muito cafona. Inclusive eu. Acredito em supérfluos. Hoje, eu como logo o pato se vou ter que pagar.

Faço escolhas; podia ter mais opção e fazer outras, sem problemas. O que não dá pra evitar, engulo bem; junto com os sapos. Acredito que, de algum jeito, uns príncipes vão, na levada, goela abaixo. Não gosto de esperanças (essa é uma). Como disse: às vezes “não tem tu, vai tu mesmo” e viro o copo todo. Fico todo serelepe quando sinto o gostinho. Eu tive refluxo. Não sou místico: o que vai, volta. Não credito em vidas passadas e no que não me lembro. Acredito na vida após a morte, mas não vamos falar sobre isso porque mistérios são mistérios e quando eu morrer juro que vou saber tudo, eu espero. Sofro de ansiedade de não sofrer por antecipação. Não quero voltar e nem ficar se o mundo se acabar. Faço tudo valer à pena: agora.

Ainda sou um dos últimos românticos. Escrevo a lápis, coleciono cadernos e gosto de cartas. Blue-ray também. Acho lindo ultrassom e Raio X. Sempre amei o avião invisível da Mulher Maravilha.

Sinto muito vergonha alheia. O Rock in Rio é uma delas. Sinto saudade do Sítio do Picau-Amarelo e do poder da palavra "Pirlimpimpim". Senti inveja. E não foi branca. Odeio bege. Azul não me cai bem e acho que tem muito sol em São Luís. Frio é chic e pode doer; e o calor dos infernos não tem dignidade nenhuma. Tiro a roupa sem problemas. Ainda prefiro ver gente bem vestida. Quero suar na academia. E  vou... Faço promessas e quero beber mais água. Eu minto e tenho fixação por verdades. Sem humor não dobro a esquina. Na maioria do tempo tenho escrúpulos, veneno e soro. Acredito no senso como religião. Uso adoçante. Brigo com a balança; como pouco e ataco geladeiras de madrugada. Eu me amo muito. Sinto bastante prazer. Inclusive só... Eu falo sozinho e danço de frente pro espelho.

Gosto de andar a pé em Paris, em Madrid e em Higienópolis. Gostava do Centro Histórico de São Luís. Sinto pena. Também tenho medo de avião e de ladrão. Quero andar mais de trem e gosto de metrô. Queria ter motorista, se me sobrasse. Não costumo desistir. Acredito em prazos de validades. Eu me esforço. Só faço o que quero, mesmo que seja uma ilusão minha. Sinto preguiça de vips, burrice e falta de educação. Não tenho problemas com binas (dou nome aos bois). Evito grosserias. Tenho medo do escuro, não gosto de luz florescente, nem de gente acesa demais. Luz é indireta. Recarrego bateria. E me desligo da tomada na hora que quiser.  Só quando quero. Como agora...

Mas eu ia te dizer outra coisa... Só tem Coca-Cola Light; pode ser depois?!

PS: Falo por mim; não sou fã de quem fala na primeira pessoa do plural (quantas pessoas o sujeito acha que é?!) e quando escrevo, é só pra você. Eu deixo que falem...  

(Crônica publicada domingo, 31 de julho, na coluna AlexPalhano do jornal O Imparcial)

 

+ Fotos e mundanidades no ALEXPALHANO.COM

Siga o jornalista no Twitter: @AlexPalhano



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ALEX Palhano

ALEX Palhano

Jornalista, produtor e cool hunter. Alex Palhano escreve sobre noite, moda, música, cinema e personalidades. Edita duas colunas no jornal O Imparcial (sextas e domingos) e tem um badalado site de noticias (www.alexpalhano.com). Hoje vive em São Paulo. Faz festas, ataca como DJ e produz eventos culturais para empresas e instituições.


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