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“O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente."
(Texto budista)
Desde os primórdios o ser humano esteve ligado ao trabalho. O trabalho faz parte da essência do homem. Entretanto, não é novidade que a relação do homem com o trabalho é, às vezes, conflituosa, pois ao mesmo tempo em que muitos consideram o trabalho um fardo, também sabem que este dá sentido à vida.
Dever e prazer são palavras que rimam, mas por que nem de longe se assemelham no significado. O prazer está quase que exclusivamente limitado aos temas: sexo, gastronomia, consumismo etc. O dever, por sua vez, remete à idéia de concentração, disciplina, abdicação ... Talvez até por falta de imaginação ou distorção. Afinal, quem disse que cumprir o dever sempre tem que ser uma má idéia?! É claro que a vida não se restringe ao trabalho, pois descontração também é imprescindível para o bem estar psicológico e emocional das pessoas.Mas o questionamento é : Seria impossível unir o útil ao agradável ?
“O segredo do sucesso é fazer de sua vocação sua distração” (Mark Twain). É possível conciliar dever e prazer? Eu diria que o segredo está em fazer por prazer, não por obrigação. Enquanto muitos acreditam que o prazer reside unicamente no lazer ou na ociosidade, acredito que este reside em nós e podemos senti-lo ou não, depende da maneira como nos relacionamos com o mundo. É preciso perceber que o prazer está em sentir, antes que a gente comece a unir o útil com o útil, deixando pra lá o agradável.
Não seria loucura afirmar que também podemos definir um mesmo trabalho, simultaneamente, como fonte de prazer e sofrimento. Este pode ser rotineiro, repetitivo, estressante, assim como pode constituir-se como forma de realização e reconhecimento. A diferença está como cada um enfrenta o dia-a-dia, optando por viver de maneira criativa ou preferindo permanecer na chamada “zona de conforto”. Segundo Kant, “O homem deve praticar o que é correto não somente porque pode obter vantagens a partir desse ato, mas sim por respeito a si próprio. Explica ainda que esta ação, movida pela sua vontade, deve servir como exemplo a todos os indivíduos da mesma espécie”.
“Escolha o trabalho que gostas e não terá de trabalhar um único dia em tua vida” (Confúcio). Diz a sabedoria popular que se você deseja realmente atingir um objetivo, peça à uma pessoa ocupada, pois estes encontram-se habituados a um ritmo acelerado de realização, e facilmente conseguem se organizar e sabem priorizar suas tarefas. Ao contrário, indivíduos “com baixa ocupação”, sentem dificuldade em assumir “tarefas a mais” e dessa forma, criam obstáculos intransponíveis para tudo que tentam atribuir-lhes.
“Quando o trabalho é um prazer, a vida é uma alegria. Quando o trabalho é um dever, a vida é uma escravidão” (Maksim Gorki). Não quero dizer que podemos transformar nossas vidas em um “mar de rosas” num passe de mágica. É lógico que o stress faz parte de nossas vidas, mas é preciso equilíbrio. Aqueles que tentam “fugir” do mau humor, da fofoca, das críticas negativas, da inveja no ambiente profissional... com certeza são mais tranqüilos e conseguem transformar seu trabalho em fonte de inspiração.
Como disse Freud, “o ser humano se torna adulto por meio do amor e do trabalho”. Sem dúvida alguma que o trabalho feito com amor aumenta a auto-estima e isso a torna mais feliz.Só para ilustrar, questione-se: Você conhece alguma pessoa que alcançou sucesso e realização, exercendo uma profissão que odeia? Eis uma das chaves do sucesso: o casamento bem sucedido entre o prazer e o dever. E tem todos os ingredientes para ser uma união duradoura.
É, realmente não é nada simples conciliar a vida profissional com lazer, mas isso é imprescindível para quem quer conquistar uma boa qualidade de vida. Se você decidir que trabalho é apenas uma maneira de ter seu pagamento no fim do mês, então provavelmente você irá continuar fazendo algo enfadonho. Se me permitem dar um conselho nesse sentido, eu diria: Encontrem meios criativos para realizar as suas tarefas, faça-as cada vez melhor, não se escravize na “mesmice”, ou na falsa justificativa de que as mudanças não dependem de você. Não existe ninguém além de você mesmo que pode mudar sua própria história. Por outro lado, bom humor, solidariedade, amizade, saber relacionar-se e um bom diálogo são alguns dos itens indispensáveis para quem resolver aceitar que existe prazer no dever cumprido.
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Helena Castro
Func. Pública - MAVivo sempre estressada, em casa,. no trabalho, e não consigo saber se é pior em casa ou no trabalho, são muitas cobranças, gostaria que tudo fosse mais fácil e um grande prazer.