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Homossexualidade: Ser ou não Ser. Eis a questão.


Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados
por sua personalidade, não pela cor de sua pele. (
Marthin Luther King)

          Este talvez seja um dos assuntos mais delicados sobre o qual escrevi desde que comecei a assinar esta coluna sobre educação. Devo esclarecer que o descrevo como “delicado” não apenas pelas inúmeras controvérsias que o cerca, mas principalmente pelo preconceito arraigado que o condena à fragilidade e que nos exige a máxima sensibilidade e sutileza para abordá-lo.

              Em primeiro lugar, devemos lembrar que, a melhor forma de combate ao preconceito sempre foi a informação. Nesse caso, até mesmo o nome durante muito tempo utilizado, para denominar a pessoa que tem afinidade sexual somente com indivíduos do mesmo sexo é profundamente desfavorável, ou seja, o sufixo "ismo" é usado para terminologia de palavras associadas a doenças. Por isso, hoje não se usa mais a palavra homossexualismo. O correto é usar homossexualidade ou homoafetividade, esta última para não dar a conotação meramente sexual.

           Em segundo lugar, as principais organizações mundiais de saúde, incluindo muitas de Psicologia, não mais consideram a homossexualidade uma doença ou distúrbio ou perversão. Desde 1973, a homossexualidade deixou de ser classificada como tal pela Associação Americana de Psiquiatria. Em 1975 a Associação Americana de Psicologia adotou o mesmo procedimento, deixando de considerar a homossexualidade uma doença. No Brasil, em 1985, o Conselho Federal de Psicologia deixou de considerar a homossexualidade um desvio sexual e, em 1999, estabeleceu regras para a atuação dos psicólogos em relação às questões de orientação sexual, declarando que "a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão" e que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e/ou cura da homossexualidade. No dia 17 de maior de 1990, a Assembléia-geral da Organização Mundial da Saúde (sigla OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, a Classificação Internacional de Doenças (sigla CID). Por fim, em 1991, a Anistia Internacional passou a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos.1

               De posse dessas informações, é imprescindível suprimir o preconceito interno e tentar desmitificar algumas opiniões formadas antes mesmo de ter os conhecimentos adequados. Ser gay ou ser lésbica não é questão de opção sexual. Ninguém escolhe “ser ou não ser” homossexual ou heterossexual. Em ambos os caso, o desejo é espontâneo e involuntário. Existem vários fatores que estabelecem esta orientação, os quais nada dependem da vontade das pessoas, por esse motivo não podem ser definidos como uma opção. Acredita-se que fatores genéticos, culturais e sociais influenciem. Entretanto, nem mesmo a ciência ou psicólogos chegaram a qualquer conclusão.

           Sabemos que para a grande maioria dos pais (e ainda mais para os filhos) é um verdadeiro dilema o processo de definição da homossexualidade. Os pais sentem-se frustrados, culpados e questionam-se: “onde erramos?” Os filhos, por sua vez, também se culpam de certa forma por não “corresponderem às expectativas” e relutam, sofrem, sentem-se confusos. Dependendo do ambiente em que vivem, sentem-se sufocados pelo preconceito, pelo temor da rejeição e pela angústia de ter que esconder esse segredo de todos e principalmente da família... Mas enfim, não existem culpados, nem inocentes nessa história. Ninguém é homossexual para torturar os pais ou rebelar-se contra a sociedade.

              Segundo Steve Bidduplh  (livro Criando Meninos da Editora Fundamento – pág 124)2: “Mesmo antes do nascimento no nosso filho, já fizemos um mapa para a vida dele. E os sonhos são sempre conservadores: carreira, casamento e netos para sentar no colo! Descobrir que o filho adolescente é homossexual destrói várias dessas esperanças tão queridas, substituindo-as por imagens que lhes parecem obscuras e lhes assustam. É natural sofrer e se preocupar.”

           Em meio a todos esse “tsunami” de decisões, receios, aceitações e aprendizados, se eu posso dar uma sugestão, seria : a regra geral é educar seus filhos para uma sexualidade sadia. Isso envolve esclarecimentos e, sobretudo saber ouvi-los.  A pergunta mais importante não deveria mais ser: “onde erramos?” e sim: "Como devo agir para que meu filho (a) seja verdadeiramente feliz?” (tanto pessoal como profissionalmente falando). Chegou o momento de aprender mais.Tentar se opor ou “remar contra a maré”, nesse caso, não é a estratégia mais aconselhável.

           Como diz o médico, Dr. Dráuzio Varella: “não vale a pena insistir em um debate tão antiquado, seria o mesmo que discutir se a música que ouvimos ao longe vem de um piano ou de um pianista. Por que é tão difícil aceitar a riqueza da biodiversidade sexual de nossa espécie? Por que insistir no preconceito contra um fato biológico inerente à condição humana ?”3

          Entendo que para os pais o processo é lento e doloroso, pois trata-se não apenas de vencer o preconceito em si, mas por saber das dificuldades que o filho (a) irá enfrentar nessa sociedade essencialmente heterossexual. Contudo, deve-se respeitar os direitos individuais de cada pessoa, deixando de lado os medos e dogmas. O amor não deve mudar por conta de uma orientação sexual. O vínculo amoroso deve ser capaz de vencer o preconceito.

            E finalmente, se acharem que necessitam de auxílio, não para reverter a situação, mas para aprender a lidar com esta, uma psicoterapia seria de grande ajuda.

 

REFERÊNCIAS
 

1http://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexualidade (acessado em 25/05/2011)

2http://www.revistaladoa.com.br/website/artigo.asp?cod=1592&idi=1&moe=84&id=2442 (acessado em 26/05/2011)

3http://www.psicologia.org.br/internacional/pscl38.htm (acessado em 29/05/2011)

http://www.clicfilhos.com.br/ler/189-Filhos_gays?page=2



O conteúdo disponibilizado pelos colunistas não reflete necessariamente a opinião da ELO Internet

Christiane Lima

Christiane Lima

Assistente Social, Psicopedagoga e Especialista em Saúde da Família, formada pela Universidade Federal do Maranhão. Atualmente atuando na área de educação e há mais de 10 anos, trabalha na área de saúde junto a adolescentes e gestantes.

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Comentários sobre Homossexualidade: Ser ou não Ser. Eis a questão.

Paulo Henrique

estudandte - RJ
Vejam bem. Este assunto é de fato complexo, haja vista a educação da sociedade. Tudo é tão doloroso por conta da educação que tivemos e continuará sendo se educarmos nossos filhos da forma que fomos criados. Os tempos mudaram, precisamos encarar as mudanças e acompanhá-las. Tenho 33 anos, sou homossexual. Não sou feliz nesta condição por conta do preconceito e da ignorância das pessoas. Me sinto diferente porque a sociedade me ver assim. No entento, não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Não tenho culpa de sentir atração por pessoas do mesmo sexo. Adoraria sentir isso pelo sexo oposto, mas não controlamos nossos sentimento. Sempre relutei contra este comportamento, mas o resultado é ainda mais doloroso, pois ao passo que não tenho coragem de assumir a minha condição, me torno um covarde que deixa de viver a própria realidade e ainda viro motivo de chacota. É muito duro não ter a coragem de assumir o que sou de verdade. Viver mergulhado num mar de fingimentos. Isso na melhor das hipóteses pode levar a um casamento frustrado, onde o homem se casa com uma mulher para manter aparências para a sociedade e fica as escondidas com outros homens. É hora de tentarmos acabar com o preconceito para ver se melhora.
An, e não adiante falrem que é algo de cunho espiritual ou algo parecido porque não é. Já recorri a diversas religiões para me livrar dessa condição, mas é impossivel se livrar da sua propria personalidade, para não dizer impossível.
 

Jaqueline Collins

Psicóloga - RJ
Todas a leis citadas acima são produtos de \"Political Correctness\" O legislativo pode continuar aprovando leis em cima de leis em sua tentativa absurda de \"NORMALIZAR\" o homosexualismo. Estude os trabalhos de Jeffrey Satinover (Físico, médico, cirurgião, Psquiatra, terapeuta infantil, economista pos-Graduado em Harvard, MIT e Yale universities e leia HOMOSEXUALITY and the POLITICS of truth. Quem lê abandona a posicão pro-gay porque o argumento de J. Satinover a deixa indefensível. Eu compreendo o ponto de vista Humanitário da doutora mas ÏT WON\'T HOLD ANY WATER quando confrontado com a mais pura realidade do ser humano.
obrigado,
Jackie
 

Christiane Lima

São Luís - MA
Cara Gorete,
Entendo sua preocupação, é normal os pais agirem dessa forma. No entanto, em primeiro lugar, conforme ressaltei no artigo, é preciso ter bem claro em mente, que não se trata de opção sexual. A homossexualidade não é distúrbio patológico e é algo que não depende da vontade humana. Coloque afeto e muito diálogo nesse relacionamento entre vocês. No mais, tenho que dar-lhe os parabéns, pois pelo que você mesma me descreveu, acho que está percorrendo o caminho mais adequado e coerente, que é o de acompanhar de perto a educação de seus filhos. Obrigada pela participação. Christiane Lima.
 

Gorete Mendonça

Empresária - MA
Procuro acompanhar a educação dos meus filhos de perto, com quem andam, o que fazem, mas como direcionar sua opção sexual?
 

Carol Vieira

Empresária - --
Difícil não se preocupar com esse assunto, além do sofrimento natural pelo preconceito não se cria os filhos para serem homossexuais, quando isso acontece a aceitação por parte dos pais deve ser dolorosa.
 

Karla Durans

Dona de casa - MA
Sobre este assunto sinto como se tivesse sempre uma faca apontada para cabeça, a "dupla" drogas e homossexualidade mexem sempre com nossa cabeça, como evitar?
 

Silvio Luis

Comerciante - DF
Difícil mesmo este assunto, não sei mesmo como agiria, ninguém quer ter um filho ou filha homossexual, o normal seria o contrário? Eu confesso que morro de preocupação com esse assunto.
 

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