| Alta | 04:17h | 5,2m |
| Baixa | 10:45h | 1,1m |
| Alta | 16:39h | 5,1m |
| Baixa | 22:54h | 1,4m |
| Compra: | R$ 2,0032 |
| Venda: | R$ 2,0038 |
| Compra: | R$ 1,9968 |
| Venda: | R$ 1,9974 |

"O luxo é a naturalidade com que uma pessoa usa uma t-shirt junto a peças caríssimas. Se não consegue, não é uma pessoa acostumada ao luxo. É apenas uma pessoa rica que pode comprar coisas" - Karl Lagerfeld
Resolvi conversar hoje (mais uma vez) sobre a cafonice alheia ou a falta de estilo dos outros, ou sobre o que é luxo de fato, e ter alguma personalidade nesse tão emergente mudinho sem noção, onde muitas pessoas acreditam ser “O Último Guaraná Jesus dos Lençóis Maranhenses”. É muita imagem e pouca sede. Ou sede demais para um pote vazio.
Um dia desses, a revista Veja apontou a Avenida dos Holandeses como a segunda no ranking do metro quadrado mais caro do Brasil; perdendo só para a poderosa Avenida Paulista. Pode?! Num dos estados mais pobres do Brasil, tudo pode, né?! Pois é, na nossa avenida “carinha” é onde proliferam as lojas de decoração e móveis, lojas de grife e todas as concessionárias de carros. E tudo em meio a um trânsito caótico, feito cidade grande. Se existe muita areia no caminhãozinho de tanta gente em São Luís, também há muito carrão pra pouca areia. Ou seria muito carro pra pouco asfalto?!
Olhe só à sua volta: um monte de prédio em construção, novos apartamentos (muitos com preço de Neblon), e alguns com vista para um mar impróprio para banho; ou de frente para uma Lagoa, cuja Serpente “decorativa” tentar boiar feliz e serelepe entre o mau cheiro do lugar e o gosto duvidoso da maioria dos bares que a cercam . Há vistas que fazem mal à vista (à vista, ou a prazo). O pôr do sol pode até ser lindo; e é! Mas é caro. E cega!
E é sobre essa cegueira de estilo e luxo que vamos trocar umas ideias aqui. Se você é daqueles ou daquelas que adoram estar na moda e vivem na moda, saiba de uma coisa, que é como se fosse um truque fashion: não há nada mais moderno e na moda do que aparentar não estar na moda.
São Luís, também, tem uma coisa engraçada: qualquer coincidência com um zoológico é mera semelhança. Uma hora é um pica-pau enorme estampando todas as camisas dos meninos, outra noite só dá jacaré. É como se a Lacoste nunca tivesse existido para os “bem-vividos” dessa “Reserva”, acostumados a montar em cavalos como se jogassem polo. (Para bom entendedor, estas palavras são óbvias). Ah! E tem um alfabeto inteiro que estampa camisas, como se outdoor da grife lhe desse nomes, ao invés de personalidade. Uma locação de marcas.
É... Normalmente as pessoas que se acham, não são. E há uma emergência tão brega, disfarçada de moderno, que dá até medo. Moderno sem passado? Sem referência?
Que tal começar pela casa?! O povo compra apartamento novo, daí compra tudo novo, se muda e o novo lar tá lá: prontinho, todo projetado, perfeito e sem nenhuma alma sequer (só a alma vendida). Não há nada de herança no ar. Nem da memória. E porta-retratos não contam.
Há “endinheirados” tão pobres de espírito que não sabem o charme de uma historinha soprada nos detalhes... Por exemplo: quando alguém entra em sua casa e presta atenção naquele lustre e aí você diz sem a menor pretensão: “achei anos atrás, jogado no porão da casa da minha vó, junto com aquele abajur”. Chic, não?!
As pessoas têm que sentir o cheiro de suas referências, e às vezes, até de seus antepassados, pra não imaginarem que você brotou de uma árvore, ou sei lá, nasceu assim do nada, do chão. Imagine: você brotou de um dos buracos da Avenida dos Holandeses?!
Sim: ostentação é cafona; e, hoje em dia, mais politicamente incorreto impossível. Chegar numa festa de helicóptero só pra dizer que chegou, onde todos os seus amigos mais íntimos não têm nem de longe a grana que você tem, é muito deselegante. Aliás, é uma grosseria; mas míopes deslumbrados não enxergam nem suas barrigas. Só seus umbigos. E enquanto tiver gente que acha mais verde a grama do vizinho, mais helicópteros pousarão sob suas cabeças ocas e farão a festa dos tolos.
Chic é saber o que fazer com seu dinheiro despretensiosamente; e não ter uma Ferrari em São Luís (o cúmulo da autovitrine), onde o asfalto não tem dignidade nem para um velho fusquinha 77. Fino é aquele seu amigo milionário que prefere colecionar miniaturas de carros raros, ou ter em sua garagem um Maverick 78 todo reformado, simplesmente porque ele ama e o carro é muito hype e sempre será. O cara ainda adora viajar e ir a bons restaurantes. E nem posta “tudo” no Facebook.
Enfim, você gosta de andar na moda, adora comprar roupa nova, é consumista até o último fio de cabelo (o que é o mais fora de moda de tudo), faça um favor a si mesmo: olhe no espelho, aceite suas formas, compreenda seu corpo, domine seu biótipo e tente ter algum estilo. Misture a calça “de marca” que acabou de comprar, com aquela blusa antiguinha que você adora, ou aquele tênis All Star surrado, ou aquele lenço ou bolsa vintage que você comprou no brechó em alguma viagem. Mas não ande pela rua como se fosse uma vitrine ambulante, com o look da coleção da última temporada. E, por favor, esqueça as personagens de novelas e suas roupas. Aprenda de uma vez: quando a moda vai parar nas novelas, é que já foi... O que você está vendo, na maioria da vezes, são caricaturas dos estereótipos (nem sei o que é pior).
E acredite: por mais que você tenha todo dinheiro do mundo, o luxo é parecer que você não dá valor. A não ser a si mesmo... e ao outro.
Pra ver fotos e saber mais, acesse: www.alexpalhano.com
E me siga no Twitter: @AlexPalhano
Felipe
Estudante - MACaramba, teu texto falou praticamente tudo que eu penso quando vejo uns e outros saindo à noite aqui em São Luís. Excelente, parabéns. ;)