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O ser humano é o único que pode mudar sua história, pois tem inteligência e criatividade.
Basta acrescentar a motivação. (Içami Tiba)
Ser pai/ mãe é muitíssimo gratificante, no entanto nos dias atuais não tem sido uma tarefa das mais fáceis. São novos conceitos e comportamentos que mudam numa velocidade tão surpreendente que se torna uma missão quase impossível entender o que os filhos pensam. O mundo moderno oferece tantas alternativas (boas e más) que até mesmo sair para jantar fora se transforma em uma programação complexa, parece piada, mas é verdade! Vamos analisar: É preciso saber escolher o local que agrade consensualmente a família; distinguir entre o que é saudável ou não; financeiramente acessível... Enfim, vocês devem estar se perguntando o que isso tem a ver com “drogas”, certo? A resposta é tudo a ver. O mundo fora dos muros seguros de nossas residências é assim: oferece milhares de alternativas, cabe ao jovem saber discernir entre o bem e o mal, porém nem sempre estão preparados para isso.
Dados comprovam que o uso de drogas está cada vez mais precoce no país.Seria falta de esclarecimentos? Bem, nos últimos tempos houve uma avalanche de informações alertando sobre o perigo do uso das drogas: TV, rádios, jornais, panfletos etc. Tudo isso para tentar explicar o quanto as drogas são prejudiciais à vida. Se bem que, as campanhas se destinam sobretudo aos não-usuários, amedrontando quem não usa para os riscos do vício e da morte. Equivocadamente insistem em ignorar todos os usuários eventuais e mesmo os freqüentes, ainda não dependentes. Ainda assim acho que falta de informação não justifica. Então o que continua levando tantos adolescentes a continuarem se envolvendo com drogas?
As pesquisas também mostram que grande parte dos jovens sabe que as drogas são sinônimo de graves problemas. Contudo, isso também ainda não é argumento convincente para mantê-los longe delas. E infelizmente, numa verdadeira afronta ao bom senso, um número crescente de adolescentes continua dizendo sim a este vício. Na verdade, acredito que exista um sentimento bem maior do que ter noção dos riscos, a necessidade de auto-afirmação dentro do grupo de amigos, o desejo de tomar suas próprias decisões, não se baseando apenas na orientação dos pais.
O quadro abaixo mostra a porcentagem de estudantes que já fizeram uso de cada uma das drogas pelo menos uma vez na vida. Os dados são resultado de uma pesquisa, realizada em 2004, com estudantes de ensino fundamental e médio em vinte e sete capitais brasileiras*.
Drogas Porcentagem de alunos que usaram
Álcool-------------------------------------------------------------- 65,2%
Tabaco --------------------------------------------------------------24,9%
Solventes -----------------------------------------------------------15,5%
Maconha -------------------------------------------------------------5,9%
Ansiolíticos (calmantes) -----------------------------------------4,1%
Anfetamínicos (estimulantes) ----------------------------------3,7%
* Dados extraídos do V Levantamento Nacional sobre o consumo de Drogas Psicotrópicas entre estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública de Ensino nas 27 capitais brasileiras, realizado pela Senad em parceria com o CEBRID.
O álcool encabeça a lista, talvez por ser uma droga lícita, nem por isso menos prejudicial (vide artigo: Alcoolismo não tem idade), e por ser lícito, diante da facilidade com que bebidas alcoólicas são adquiridas, jovens transformam a si mesmos em cobaias.
Existem relatos de consumo de substâncias ilegais de todo tipo: anestésicos de uso veterinário, remédios para impotência e até medicamentos para tratamento de aids. Estes ingressam facilmente nos clubes para serem consumidos com cocaína e comprimidos de ecstasy2 e como se não bastasse : uma nova droga, mais letal do que o crack, que está se espalhando pelo Brasil: o oxi, um subproduto da cocaína. ". O oxi, abreviação de oxidado, é uma mistura de base livre de cocaína, querosene - ou gasolina, diesel e até solução de bateria -, cal e permanganato de potássio. Como o crack, o oxi é uma pedra, só que branca, e é fumado num cachimbo. A diferença é que é mais barato e mata mais rápido.3
E a pergunta persiste: o que continua levando tantos adolescentes a continuarem se envolvendo com drogas? Com certeza a resposta não está em classes sociais, gêneros ou etnia, pois é um grande equívoco crer que os jovens advindos de família de baixa renda ou “desestruturadas” estão mais inclinados ao consumo. O mais provável é que características típicas da faixa etária podem, sim, levar à utilização. A curiosidade é uma delas. O desejo de transgredir é outra. Um estudo do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo (Grea)1 diz que a curiosidade é a motivação que leva nove em cada dez jovens a consumir drogas pela primeira vez. É claro que quem experimenta pela primeira vez não deseja virar viciado no entanto, quanto mais cedo se experimenta uma droga, maiores são os riscos de se tornar dependente químico.
As alterações de comportamento são mais evidentes no sexo masculino, que costuma se envolver em problemas com a polícia e apresentar baixo desempenho escolar... Já no sexo feminino, a depressão é mais freqüente. Em ambos, é bastante comum também o envolvimento em furtos, roubos, tráfico de drogas ou prostituição como meios para aquisição de dinheiro para comprar drogas. Nesse ponto, algunspais ao perceberem mudanças negativas nas atitudes dos filhos, tentam conversar, fixando regras e impondo limites, enquanto outros temem perder o amor dos filhos se forem firmes nas regras e nas cobranças.
Existe um meio termo? Sim, existe. Está situado entre o bom senso e o irresistível desejo de satisfazer as vontades dos filhos, pois os limites devem obrigatoriamente estar a serviço da qualidade de vida e da educação do filho, nunca de um capricho. Adotar uma proibição pura e simples não é a saída mais inteligente, muito menos eficiente. Por outro lado, aceitar um comportamento transgressor significa deseducar e alimentar um pequeno ditador dentro de casa.
Diante de tantas interrogações, opções e variáveis, o certo mesmo é que, mesmo sendo semelhantes, somos diferentes, portanto não existe uma única alternativa correta a ser levada em consideração. Por que alguns parecem superar com mais tranqüilidade e outros necessitam de tratamento especializado? Ou seja, não dá para explicar especificamente o porquê deste ou daquele jovem sentir-se atraído pelas drogas enquanto outros a repelem.
Contudo ainda defendo e creio no poder de uma boa conversa franca com tato e muita afetividade. Mesmo quando esta estratégia já tiver sido utilizada incontáveis vezes; mesmo quando o adolescente resmungue incompreensivelmente entre um bocejo e outro... Ainda assim tenho certeza que informações essenciais estão sendo assimiladas e valerão pro resto de suas vidas. A única fórmula comprovada e testada é que não existe nada mais eficiente do que boa campanha doméstica
* segundo a definição da Organização Mundial de Saúde – OMS o termo “droga” abrange qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas produzindo alterações em seu funcionamento.
REFERÊNCIAS :
1http://veja.abril.com.br/especiais/jovens_2003/index.html (acessado em 20.04.2011)
2http://veja.abril.com.br/211009/musica-sexo-loucura-p-134.shtml (acessado em 21.04.2011)
3http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/04/16/derivado-de-cocaina-mais-letal-que-crack-oxi-destroi-jovens-criancas-no-acre-924261516.asp#ixzz1K0wypyCN (acessado em 21.04.2011)
4http://www.obid.senad.gov.br/portais/OBID/index.php (acessado em 20.04.2011)
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Raymara
Estudande - GOOlha eu amei sua explicação, me ajudou muito a fazer um trabalho da escola.