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NIETZSCHE E EU


“Nem tudo em São Luís é kitsch”, poderia ter dito Nietzsche lá pelos idos do século 19 – quando a capital do Maranhão caminhava para os seus 300 anos – em sua cruzada errante e demente pela Europa de burguesia quase decadente. E teria dito isso talvez embriagado, talvez entorpecido de alegria ao esbarrar com alguns dos nossos burgueses que daqui se jogavam sobre o Atlântico e iam tomar banho de literatura e café no velho mundo - e voltavam letrados, para a suprema felicidade e vaidade das famílias endinheiradas da época. Não foi à toa que os fios de algodão das fábricas deram a São Luís o epíteto de Atenas Brasileira.

Certa vez em Turim, na Itália, Nietzsche protagonizou uma cena que acabou entrando para a história da literatura na obra de Milan Kundera. Ao sair do hotel onde estava hospedado, Nietzsche avistou um cocheiro açoitando brutalmente o cavalo. O filósofo alemão (autor de “Assim falou Zaratustra”) não se conteve e, aos prantos, tomou o chicote do cocheiro e agarrou-se ao pescoço do cavalo.    

Dia desses na Ponta d’Areia, Dona Gardênia, a nossa dama de primeira, tomava café na varanda do apartamento quando lá de cima avistou uma senhora a estacionar o carro importado junto ao canteiro central da avenida que corta a península. Bem vestida, traços burgueses, a senhora desceu do carro, olhou para os lados e, à luz do dia, começou a arrancar as plantas ornamentais que dão vida ao paisagismo da cidade. Antes que a senhora concluísse o furto das plantas, do alto do prédio Dona Gardênia entrou em desespero e começou a chorar. Aos gritos, ainda tentou chamar a atenção dos vizinhos, do porteiro do prédio, da polícia... Em vão! A senhora com as plantas, o carro de vidro fumê e a placa não deixaram rastros. As plantas haviam sido doadas semanas antes ao Instituto de Paisagismo do município por uma instituição do Ceará.

Em A insustentável leveza do ser, Milan Kundera sussurra no meu ouvido: é na relação com os animais que se percebem os primeiros desvios morais do homem. Eu diria mais ao incauto leitor: é na relação com a natureza que se enxerga a última virtude do ser humano. O cavalo branco de Nietzsche e o flamboiã vermelho de Dona Gardênia são as minhas metáforas deste domingo quase cinza para falar dos 400 anos de São Luís.

Sim, o primeiro passo já foi dado, como uma semente bem plantada no canteiro, à prova de roubo de senhoras mal educadas e mal amadas. A prefeitura instalou o Comitê Estratégico dos 400 Anos de São Luís. No Luzeiros. Há agora um farol a guiar os rumos da cidade. Há planos e pessoas com o desafio de parir resultados. O povo espera muito de Dona Gardênia, a presidente de honra do comitê. E ela faz! Se deixarem, ela se joga no projeto. Se não tocarem fogo, ela haverá de iluminar a França que não deu certo. E São Luís, quem sabe, vai enfim virar um bairro de Paris.

E se, afinal, São Luís não emplacar, juro que, qual Nietzsche em Turim, me abraço nesse avião que vai fazer o voo regular de São Luís a Milão. E na Itália eu choro!    

 

LARGADA PROGRESSIVA
Terça-feira que se foi o prefeito Castelo empossou, em solenidade disputadíssima, no Hotel Luzeiros, o Comitê Estratégico Organizador responsável pelas comemorações dos primeiros 400 anos de São Luís. Eu sei: o nome é grande, assim como os anos são longos. Veja algumas imagens no nosso álbum...

LEGENDAS DAS FOTOS:

A Secretária de Educação do Municipio, Sueli Tonial, desfilando inteligencia e elegância. Duas de suas formas de poder inconfundíveis.

A primeira dama de São Luís, Gardênia Gonçalves, presidente do Conselho Gestor do Comitê dos 400 anos.

A deputada que não para de trabalhar e o prefeito de São Luís. DNA poderoso: Gardênia Gonçalves e João Castelo.

Liviomar Macatrão, o articulado Secretario de Turismo de São Luís, empolgado com os primeiros 400 anos da cidade.

A beleza contagiante de Priscila Frazão, esposa do Secretário de Comunicação Municipal.

O estrategista Secretário de Comunicação da prefeitura de São Luís, Edwin Jinkings, que pilota, entre tantas ações, o concurso que irá eleger a marcar dos 400 anos da cidade.

Da Hora, o Superintendente da Blitz Urbana, uma ideia eficaz e sábia da Secretária de Urbanismo e Habitação do Municipio, que já começa a dar o que falar. Ponto para o Secretário Domingos Brito!

Júlio Cezar, assessor jurídico da Blitz Urbana.

Fotos: Rafael da Hora



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ALEX Palhano

ALEX Palhano

Jornalista, produtor e cool hunter. Alex Palhano escreve sobre noite, moda, música, cinema e personalidades. Edita duas colunas no jornal O Imparcial (sextas e domingos) e tem um badalado site de noticias (www.alexpalhano.com). Hoje vive em São Paulo. Faz festas, ataca como DJ e produz eventos culturais para empresas e instituições.


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