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Parábola das três peneiras.
Um rapaz procurou Sócrates para dialogar e disse-lhe que precisava contar-lhe algo sobre alguém. Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou:
- O que vais vai me contar já passou pelas três peneiras?
- Três peneiras? - indagou o rapaz...
- Sim! A primeira peneira é a VERDADE. O que desejas me contar dos outros é um fato? Caso tenhas somente ouvido falar, a coisa deve morrer aqui mesmo. Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. É uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho do próximo? Além disso, se é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a alguém?
Arremata Sócrates:
- Se passou pelas três peneiras, conte! Mas se aquilo que queres me contar não é verdade, nem bom e muito menos necessário, então enterre e esqueça, pois uma fala mal dita e mal compreendida pode envenenar a mim e a ti mesmo.
A linguagem é primordial em nossas vidas, mas conforme nos demonstra a parábola acima, devemos saber utilizá-la corretamente, caso contrário pode transformar-se numa arma letal tanto para quem convive conosco como para nós mesmos. A comunicação é útil para manter contato com as pessoas; transmitir e receber conhecimentos ou informações; exprimir ou compartilhar com os outros nossos pensamentos, sentimentos, valores, ideais, experiências e assim nos aproximarmos, descobrirmos afinidades e criarmos vínculos.
Em tempos de Orkut, twitter, facebook, Msn etc., é fácil comunicar-se com cem, duzentos, quinhentos amigos, afinal não é preciso encontrar nem conversar “frente a frente” com cada um deles, basta enviar emails, sms, postar mensagens... Quero deixar claro que não pretendo, de maneira alguma, desmerecê-los, no entanto, sob meu ponto de vista, o grande desafio, tem sido encontrar a fórmula ideal para conciliar o avanço das mídias sociais com as relações humanas, de forma que estes recursos sejam meios para amenizar distâncias e não pretexto para mantê-las. Não me refiro apenas às relações de amizade, profissional ou afetiva, mas dentro do próprio seio familiar, pois muitas famílias sofrem um triste isolamento dentro de um mesmo espaço, pois moram juntos, mas não conseguem conviver juntos e mal se conhecem por falta de diálogo. Enquanto alguns pais tornam-se incomunicáveis dentro suas obrigações profissionais; os filhos, por sua vez, emudecem em frente à tela do computador em busca de outros relacionamentos, muitas das vezes até inconscientemente para substituir o que falta dentro de casa.
O Psiquiatra e Educador Içami Tiba afirma que “uma das grandes maravilhas do ser humano é o seu poder de dialogar, trocar idéias e experiências, compartilhar emoções, negociar, discutir e... amar”. Sem dúvida alguma, dialogar é essencial a todos. No entanto, antes de falar, precisamos aprender a escutar, não apenas com os ouvidos, mas disponibilizar o nosso coração para acolher a fala do outros. Isso exige proximidade e afeto. Será que sabemos a hora de falar e de ouvir?
O Diálogo pode acontecer de duas formas extremas: tanto abusiva como na ausência deste. Ambas, são prejudiciais, principalmente na família. Muitos acham que conversam com os filhos, mas diálogo é quando duas pessoas falam e não quando uma só ouve (algumas vezes os pais falam enquanto o filho (a) permanece teclando em frente ao computador). Existem ainda aqueles pais que, são verdadeiros interrogadores, pregadores de sermões, pois entendem que dialogar é repassar informação, ou seja, o diálogo assemelha-se mais a um monólogo, e vira um simples “eu-falo-e-você-escuta”. Tanto na primeira quanto na segunda situação a conseqüência é desastrosa e transforma-se no famoso “entra-por-um-ouvido-e-sai-pelo-outro”, restando a angústia e a sensação de culpa: “Eu sempre conversei com meu filho (a). Onde foi o erro ?”
Um diálogo eficaz requer a participação ativa entre todos os envolvidos, numa alternância dinâmica e contínua entre falar e ouvir. Para quem não está acostumado a praticar essa arte, aqui vão algumas dicas: em primeiro lugar, perguntar onde está o erro pode ser o caminho do acerto; tente disciplinar-se na arte de ouvir e não queira ensinar sempre, talvez nesses pequenos gestos descubram a linha que separa o limiar entre dialogar e impor. Lembre-se que colocar limites com diálogo, coerência e afetividade, permite que os filhos desenvolvam a capacidade cognitiva e habilidade de argumentação.
Posso dizer, sem medo de errar, que o diálogo é um valioso instrumento terapêutico e pode ser o remédio para muitos males, pois é na conversa com o outro que surgem as confidências e emergem emoções. O diálogo une a família e pode alterar o rumo das nossas vidas. Através deste, pais e filhos se conhecem melhor e verbalizam sentimentos, resultando em uma relação de confiança, respeito e colaboração recíprocos. Além disso, um diálogo franco e aberto é um momento ímpar para que possamos explicar aos nossos filhos, aliando fala e atitudes, que o mundo precisa de cidadãos honestos e íntegros, pois o exemplo dos pais é insubstituível na formação de conceitos e comportamentos éticos e morais.
Enfim... É conversando que a gente se entende ;-)
REFERÊNCIAS :
1http://pelascriancasvamosconversar.blogspot.com/2010/10/importancia-dos-afectos.html (acessado em 09/03/2011)
http://www.tiba.com.br/ (acessado em 10/03/2011)
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Carlos Henrique
Técnico - MANada substitui o poder da fala, contudo a tecnologia invadiu nossas vidas e nada pode mudar isto, senão ficamos para trás.