| Alta | 04:17h | 5,2m |
| Baixa | 10:45h | 1,1m |
| Alta | 16:39h | 5,1m |
| Baixa | 22:54h | 1,4m |
| Compra: | R$ 2,0032 |
| Venda: | R$ 2,0038 |
| Compra: | R$ 1,9968 |
| Venda: | R$ 1,9974 |

(Foto e crônica publicadas na Coluna AlexPalhano, domingo 21 de fevereiro de 2011, na Revista Tudo!, do jornal O Imparcial)
(E quem esteve em Sampa, no último final de semana, foi o sempre feliz e danado Paulinho Freitas, um grande amigo que tive o prazer de ser anfitrião nessa Pualiceia Desvairada! No roteiro: o charmoso e badalado restaurante Spot, o incrível e gostoso pub/lounge SubAstor e o poderoso e moderno Lions NigthClub. O resto é história... O fato é que, em São Paulo, Paulinho deixou saudade...)
“Pra mim, viver é gastar a vida” - Mário de Andrade
SINCRONIA MOLHADA
Chove aqui e aí. Nem precisa dizer que a água que cai tem sido o tema da temporada. De uma forma ou de outra, caro leitor, estamos todos molhados. Às vezes, ao mesmo tempo. Ainda com relógios diferentes, em algum momento, chove em nós feito sincronia. Gota a gota. Pingo a pingo. Enxurrada, chuvisco, garoa, toró.
Foi sem querer e inevitavelmente que me encharquei quarta passada. Sem nenhuma excitação, a não ser pela música que estava ouvindo, fiquei todo molhado no meio da rua. Tive que guardar o player, o fone e encontrar nenhum abrigo possível. Minha mochila era impermeável, mas meu cabelo não. Nem meu coração, nem a roupa que eu cabia dentro. Era, portanto, ali, no meio da rua, só nós: eu e a chuva.
Fechei os olhos e encarei como criança livre aquilo. Você já sentiu isso? Se deixar sozinho, entre a liberdade e você? Só você?
Pois é. Esse é você... De olhos fechados na chuva. Nunca pensou que fosse fazer algo assim, adulto se achando. Você nunca se viu (como descreveria isso?) como uma dessas pessoas que gosta de olhar pra lua ou que passa horas contemplando as ondas ou o pôr do sol... (Deve saber que tipo de pessoa estou falando). Talvez nem eu nem você saibamos.
Seja como for, é nesse instante, entre você e mais ninguém, que se acaba percebendo gostar de ficar assim: lutando contra o frio, sentindo a água penetrar sua camisa e tocar sua pele, e, por descuido, infiltrar sua alma mais escondida e protegida. Com sorte, a correnteza que se formar dentro de você acabe por arrebentar as barreiras, as paredes. É bom ter fendas, brechas, canais... E deixar vazar, passar.
Ainda de olhos fechados, na chuva, descobre mais: você gosta da sensação do chão ficando fofo debaixo dos seus pés, pisando na terra. E do cheiro do asfalto molhado, queimado horas a fio pelo sol que se achava todo poderoso. Você, de repente, ouve e gosta do som da chuva batendo nas folhas. É... Esse é você sozinho, lendo coisas que estavam na sua cara, mas não as sentia. E por ironia, por causa do tempo.
Sabe quando lágrimas nem parecem escorrer dos seus olhos porque se misturam ao banho que você está tomando? No chuveiro ou na chuva o que muda é o peso da água na tristeza. E, às vezes, soluçamos naufrágios.
(Nós, que nos achamos gente crescida, banhamos na chuva, camuflando nossas próprias águas.)
...Quando a chuva passou pensei, ensopado de mim: de todas as coisas que estão nos livros que nunca se leu, nos filmes que nunca se viu e na música que nunca se ouviu... Esse é você! Quem teria imaginado você?! Nem você. Nem eu. Esses somos nós.
P.S: Qual a previsão do tempo pra hoje? Possíveis pancas de chuvas, nuvens indo e vindo e com boas chances de sol no final do túnel. E como quase tudo que vive e geme, o tempo, senhor de todos, é imprevisível. Mas tudo passa. Tudo.
Pra ver mais fotos acesse: www.alexpalhano.com.br
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