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MADRID MINHA... E TODINHA DO MUNDO!


“Há coisas encerradas dentro dos muros que, se saíssem de repente para a rua e gritassem, encheriam o mundo”

Frederico Garcia Lorca

(Texto e fotos publicados na Coluna AlexPalhano, domingo 23-01-2011, na Revista Tudo! do jornal O Imparcial)

Lá estava eu na segunda parte da minha viagem, depois de ter descoberto e me apaixonado por Lisboa exatamente nos últimos dias do velho ano. Como havia dito na coluna passada, prometi contar um pouco do que vi e senti da curta, mas necessária e vital viagem que fiz (via Rio Ave Turismo), naquele voo direto São Luís/Lisboa com vários destinos: quer dizer, cada um dos 200 e tantos passageiros tinham seus roteiros para o réveillon. Eu tinha o meu: Madrid

Dia 29 de dezembro, pontualmente ao meio dia, chego pela primeira vez ali. E um céu de azul brilhante me jurava, de cara: você vai ser feliz! Promessa feita (dos Céus), fé convicta e todas as fichas apostadas, só me restava dizer adeus em grande estilo aos últimos dias do ano e ganhar mais 365 dias de um ano novinho que iria começar perfeito pra mim.  Não era mentira.

Madrid é um surto de cultura! Chic, doida e rica: restaurantes, bares e clubes incríveis. Sua instigante vida noturna, imortalizada nos filmes de Almodóvar, seria minha investida por quatro dias. E ver 2011 chegar ali foi um filme que não vou esquecer. E como, por acaso, não encontrei Pedro, o cara (um dos meus diretores favoritos) andando por suas ruas, queria no mínimo sentir a poesia de Garcia Lorca e as imagens surreais de Salvador Dalí como se fosse eu, íntimo deles. E sou. Quis tudo na veia, de vez: Picasso, Goya e Miró! E tive. Doido de vontade que fui.

 

Obcecado pela arquitetura e design que me seduzia a todo instante e pela beleza do povo, me entreguei fácil. É, ao contrário do que pareça, sou facinho, facinho... Basta me colocar diante de tanta informação mundana, uns euros a mais, gente bonita, diversão de bandeja e uma porção de aventuras à minha espera, que eu me entrego todo. Tenho isso: de me entregar por inteiro só por desejo. Como aprendi com Oscar Wilde, que só existe uma maneira de resistir à tentação, que é caindo nela, fiz tudo direitinho. E com um bom figurino no corpo, minha alma era toda a cidade...

 

Lorca sussurrou baixinho ao meu ouvido: “A poesia é algo que anda pela rua”. E eu andei como nunca. Amei, de repente; como sempre. Dica: nunca esqueça aquele tênis feito pra correr ou malhar quando o assunto é andar muitooooo durante o dia. Ele, ao contrário do amor, não vai te trair, enquanto você o usar. Esqueça-o à noite. Ele pode estragar tudo: o look e a paquera estilosa.  Recado dado.

 

Diante do que vivi em Madrid, que foi intenso, mas não o bastante para deixar de voltar muitas e muitas vezes e tentar fazer o que não deu tempo e repetidamente ser feliz, querendo bis  “do tudo de novo”, montei uma espécie de roteiro pra você, caro leitor, caso queira ter uma relação moderna, sexy e muito cool com essa cidade apaixonante. Tá pronto?! (Eu acho que nunca ninguém tá pronto para viver uma história de amor com “o desconhecido”, mas é melhor ter uma espécie de base, bula, ou bússola, desorientadora que seja,  só pra não dar uma de bobo e tonto diante de tanta emoção que nos aguarda. E apesar das surpresas serem inevitáveis nesse tipo de experiência, ainda é melhor não ser pego desprevenido, afinal de contas, e das contas, bolso nenhum gosta; e ninguém quer ter a sensação de uma viagem perdida, mesmo que você se perca, se é que você me entende...) 

 

Então lá vai!

 

PRA VER:  Madrid é famosa por seus museus de categoria mundial. Ir ao Museo Nacional Del Prado é obrigatório. Mas não vá feito barata tonta. Dica: Vá às salas dedicadas a Velázquez para admirar sua obra-prima “As meninas”, depois passe pela obra de Goya. Preste atenção nas sombrias pinturas negras em tom de pesadelo, que ele criou depois de ficar surdo. Pode chorar. Tem também o Museo Reina Sofia. Lindo! Pegue o elevador de vidro e vá até o segundo andar: contemple o icônico “Guernica”, imenso painel monocromático de Picasso. Do lado, nas salas adjacentes tem: Miró, Dalí e Kandinsky, além dos  móbiles de Calder. Ah! Não deixe de ver a imensa escultura  de Antonio López, “Homem e mulher”, na sala 31, rodeadas por lindas vistas da cidade.

 

PRA VER, SER VISTO E IR DANÇAR: Comece pelo Suite Café Club, cujo endereço já é um estímulo: (Calle de la Virgen de los Peligros, 4). Não teve tempo pra ir jantar? Lá é perfeito pra um esquenta entre drinks e uma honesta comida mediterrânea. Mas o sucesso do lugar se deve ao interior industrial, à mobília retrô, ao terraço incrível e, lógico, a frequência: sempre cheio de “beau monde”. Depois comece o tour pelos bares. Toma! Museo Chicote, um bar-pub incrível, tradicionalíssimo e moderno, ao mesmo tempo, por causa da música e da frequência misturada e fina: um reduto de gente influente de Madrid desde a década de 1930. Tem ainda: O Bar del Diego, Bar Cock e finalmente o club The Room, que toca um tecno retrô fino e uma house music muito, muito chic. Cafonas não entram porque não se divertem ali de jeito nenhum.

 

Outro lugar, bem em frente ao Chicote, que é imperdível: a lounge de puro design do Hotel das Letras. Aliás, esse hotel é o máximo. A decoração dos quartos é inspirada em citações do mundo da literatura e das artes. Se você planeja ficar na balada até o amanhecer (como é normal entre os madrilenos), reserve o Quarto Plus, com terraço. Perfeito!

 

PRA COMER: Os restaurantes de Madrid ficaram bem sofisticados nos últimos anos, e seu design vem tendo papel fundamental. A gente começa a comer com os olhos. E têm muitos bem chics que não são tão caros, onde a cozinha “fusion” é quem manda. Anote alguns imperdíveis: Club 31 (inclusive, tivemos a sorte de passar o réveillon numa aérea reservada do poderoso restaurante, exclusiva para no máximo dez mega vips: e o ano começou bem!);  Teatriz (um antigo teatro convertido num restaurante absurdo por Philippe Starck e Javier Mariscal; Olsen é um dos restaurantes mais modernos da cidade, tem um bar único em Madrid que serve vodcas temperadas e com sabores de fruta, e ainda uma lounge que você pode descansar, ou não, ao som dos DJs locais, até altas horas.  Outro que vale a vista, nem que seja pra ficar no bar ou ver as obras em exposição, é o restaurante que fica no Círculo Belas Artes: o prédio art déco é belo,  e o restaurante tem  uma atmosfera 1920, com bustos de mármore e lustres que pendem de deslumbrantes afrescos. Lá, você pode até almoçar entre uma instalação bem inusitada, como a que vi, chamada Unidade de Cuidados Intensivos.

PS: Pra saber os endereços, fácil: vai no Google, ora bolas.

Pra ver mais fotos acesse: www.alexpalhano.com.br
e me siga no Twitter: @AlexPalhano



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ALEX Palhano

ALEX Palhano

Jornalista, produtor e cool hunter. Alex Palhano escreve sobre noite, moda, música, cinema e personalidades. Edita duas colunas no jornal O Imparcial (sextas e domingos) e tem um badalado site de noticias (www.alexpalhano.com). Hoje vive em São Paulo. Faz festas, ataca como DJ e produz eventos culturais para empresas e instituições.


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