Logomarca Elo Internet

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Usuários



E-mail: Senha:

-

Fale Conosco

Tábua de Marés

Dólar - Cotações

Dólar EUA - 22/07

Compra: R$ 2,2195
Venda: R$ 2,2201

Dólar EUA (PTAX) - 22/07

Compra: R$ 2,2232
Venda: R$ 2,2238

Blogs Parceiros

PRECONCEITO:"... É que Narciso acha feio o que não é espelho"


“... Quando eu te encarei

Frente a frente

Não vi o meu rosto

Chamei de mau gosto o que vi

de mau gosto o mau gosto

É que Narciso acha feio

o que não é espelho ...”

(Caetano Veloso)

 

          Existem diferentes versões sobre Narcisoou O Auto-Admirador, personagem da mitologia Grega, mencionado na música de Caetano Veloso. Uma destas diz que este “era um rapaz muito bonito. Quando nasceu, seus pais perguntaram ao adivinho Tirésias qual seria o seu destino. A resposta foi que ele teria vida longa desde que jamais contemplasse a própria figura. No entanto, por ser tão frívolo e indiferente ao amor, a deusa Némesis resolveu dar-lhe uma lição e o condenou a apaixonar-se pelo próprio reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua própria beleza, Narciso deitou-se no banco do rio, olhando-se na água e se embelezando, e assim foi definhando permanecendo nessa posição até morrer.”

           Quem nunca pré-julgou alguém, alguma coisa ou algum lugar, que atire a primeira pedra. Quem nunca foi vitima de algum tipo de discriminação? Ainda assim o preconceito persiste e se enraíza cada vez mais. Da mesma forma como Narciso, muitas pessoas praticam o preconceito, quando percebem que o outro é diferente do seu modelo “ideal”, ou seja, de si próprio. Conscientes ou mesmo inconscientemente diante dessa percepção narcisista crêem cegamente que tudo que não corresponde à sua imagem é o próprio exemplo de "mau gosto", passando então a rejeitá-lo, tratá-lo com indiferença ou até mesmo odiá-lo.

          O dicionário Michaelis define preconceito como: “(1) Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados.(2) Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão...” Em outras palavras, podemos dizer que preconceito é um juízo preconcebido que leva alguns a sentirem-se superiores a outros, adotando comportamento intolerante, hostilidade ou desprezo, discriminando indivíduos ou grupos os quais considera diferentes ou estranhos.

           As formas mais comuns de preconceito são : social, racial, sexual e religioso. No entanto, é bem complicado falar sobre preconceitos e chegar a conclusões objetivas, pois muitos fatores o desencadeiam. Pode-se dizer que, geralmente o preconceito parte de uma generalização superficial, originada pela ignorância ou falta de conhecimento, ou seja, simplesmente cria-se uma espécie de aversão em relação a tudo que é diferente. Dessa forma, o preconceito leva à discriminação, gerando marginalização e violência. De qualquer maneira é prejudicial, leviano e irracional, pois representa o domínio da crendice sobre o saber, não possuindo bases nem argumentos que o sustentem (são estabelecidos unicamente nas aparências e na empatia). Contraditoriamente a essa lógica, é um dos erros mais arraigados, mascarados e perigosos de nossa sociedade atual.

          Crenças, maneira de vestir, condições socioeconômicas... As diferenças estão presentes em nosso dia-a-dia e nos fatos mais corriqueiros: em nosso ponto de vista, ideais, forma de pensar, idéias, nas impressões digitais. Rotular quem quer que seja é um ato cruel. Até onde vai a ignorância dos seres que se dizem humanos e civilizados? Diversas catástrofes e atos desumanos nasceram a partir de algum tipo de preconceito. Citamos, por exemplo, o Holocausto (especificamente o massacre dos judeus durante o regime nazista), a "Santa" Inquisição (composta por tribunais dedicados à supressão da heresia no seio da Igreja Católica Romana. Os condenados cumpriam as penas que podiam variar desde prisão temporária ou perpétua ou eram queimados vivos em plena praça pública).

         O Artigo 5º. da Constituição brasileira é o mais importante artigo de nossa Constituição, pois possui 78 dispositivos (incisos) e quatro parágrafos que garantem, aos cidadãos, as mesmas oportunidades na busca por uma vida mais digna aodeclarar oficialmente que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, sendo invioláveis o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Dessa forma, dentre os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil está a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

          Infelizmente o preconceito está presente onde menos imaginamos e nem precisamos ir longe para encontrá-lo. Trata-se de uma opinião totalmente distorcida que estabelece diferença entre as pessoas, de forma pejorativa, sem qualquer coerência e por esse motivo nossa sociedade tem excluído muitos de nossos semelhantes por julgar simplesmente que estes não são tão “semelhantes” assim. O resultado dessa violência é que vítimas de atos discriminatórios sofrem com depressão, baixa auto-estima... Desenvolvem agressividade, dificuldades na aprendizagem etc.

            Não podemos continuar aceitando passivamente essa situação. Vamos firmar um compromisso pessoal e com nosso semelhante. O primeiro passo para essa mudança é repensarmos nossas atitudes de convivência, de relacionamento interpessoal. Vamos tentar ser mais tolerantes, aceitar as diferenças. Não basta apenas falar. É preciso agir. Nesse sentido, Norberto Bobbio (filósofo e jurista italiano (1909-2004) diz:“os preconceitos nascem na cabeça dos homens. Por isso, é preciso combatê-los na cabeça dos homens, isto é, com o desenvolvimento das consciências e, portanto, com a educação, mediante a luta incessante contra toda forma de sectarismo. Existem homens que se matam por uma partida de futebol. Onde nasce esta paixão senão na cabeça deles? Não é uma panacéia, mas creio que a democracia pode servir também para isto: a democracia vale dizer, uma sociedade em que as opiniões são livres e, portanto são forçadas a se chocar e, ao se chocarem, acabam por se depurar. Para se libertarem dos preconceitos, os homens precisam antes de tudo viver numa sociedade livre.” 

            Bobbio deixa claro que não existe nenhuma justificativa que apóie a idéia de que um determinado grupo de homens pode ser de alguma forma, superior a outro. No final das contas, o que todos nós precisamos mesmo é construir uma sociedade madura e justa, onde todos possam viver, indistintamente, com dignidade.

 

REFERÊNCIAS :

BOBBIO, Norberto. Elogio da serenidade. E outros escritos morais.Tradução Marco Aurélio Nogueira - São Paulo, Ed.Unesp, 2002

http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=preconceito (acessado em 25/11/2010)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Narciso (acessado em 26/11/2010)

http://www.culturabrasil.pro.br/artigo5.htm (acessado em 27/11/2010)



O conteúdo disponibilizado pelos colunistas não reflete necessariamente a opinião da ELO Internet

Christiane Lima

Christiane Lima

Sou Assistente Social (formada pela Universidade Federal do Maranhão), Psicopedagoga, Especialista em Saúde da Família e professora universitária. Possuo experiências nas áreas de Saúde e Educação. Realizo palestras em empresas e escolas para alunos, funcionários e corpo docente.

Contato para palestra clique aqui


Outros posts deste colunista

Leia também



Comentários sobre PRECONCEITO:"... É que Narciso acha feio o que não é espelho"

Cleusa R. Gomes

Estudante de Serviço Social - SP
Realmente aquilo que não é o que conhecemos ou dominamos nos causa estranheza,todos nós temos preconceito de algo e nem percebemos, se reconhecer em tudo é quase impossivel lutamos pela igualdade mas é nas diversidade que se dá as maiores lições de nossas vidas,saber como se dá o preconceito já é o primeiro passo para combate-lo.
 

Monica Marletti Almeida

Dentista - MA
Parabens pelos textos.Voce clinica????
 

Julie

- MA
É verdade.O preconceito é algo quase inato nas pessoas, quem não tem, já sofreu.Pois as pessoas não perdem a mania de julgar pela aparência e qndo falo em preconceito, não me refiro apenas a cor, crença ou raça, e sim a outros tipos.
 

Maria Clara dos Santos

Professora - MA
Eu também, como a Professora Glória, assisto algumas situações de preconceitos na escola onde trabalho - principalmente contra garotos homossexuais - e assim como ela, na medida do possível tento contornar para que esse tipo de situação não se estabeleça como costumeira.
 

Christiane Lima

São Luís - MA
Cara Glória, realmente essa situação costuma ser bem acentuada no ambiente escolar, sobretudo na faixa etária entre 10 e 12 anos. No entanto, o ideal é elaborar um projeto de sensibilização contínuo dentro da escola, envolvendo alunos, professores e funcionários. Converse com todos e abracem essa causa. Obrigada pelo comentário. Christiane Lima
 

Glória Mendes

Professora - MA
Em minha Escola vejo isto sempre, às vezes não sei como lidar em certas ocasiões, vejo alguns alunos sendo vítimas e reajo imediatamente, outras vezes fico sem saber o que fazer.
 

Carlos Pontes

Func. Público - MA
Eu que já fui vítima de preconceito inúmeras vezes já que sou negro, sei exatamente do que você está falando, nossa sociedade é preconceituosa, pra ser bonito tem que ser branco, magro, olhos claros e por aí vai. Este artigo veio em boa hora.
 

Fernanda Gomes

Psicóloga - MA
Todo e qualquer tipo de preconceito é nocivo, é vergonhoso em qualquer situação. Realmente, quem ainda não foi vítima de preconceito de qualquer espécie. Quando isto acontece com uma criança às vezes torna-se devastador em sua vida. Ótimo seu artigo.
 

Comentar

Nome:



Profissão:



E-mail:



Estado:



Comentário:



Digite os caracteres abaixo









Siga-nos pelo Orkut Siga-nos pelo Twitter

O que você achou dessa página?


Certificações:


CSS3 Validado

Sta. Maria Madalena