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"Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece, como eu mergulhei. Pergunte, sem querer a resposta, como estou perguntando. Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento" (Clarice Lispector)
Como alguns já devem saber, ando fisicamente, nos últimos meses, mais em São Paulo que em São Luís. Se bem que pra quem vive há tempos na blogesfera estar fisicamente em algum lugar pode não querer dizer nada. Mas diz. E muito. Principalmente quando você se ver ilhado diante de tanta informação e nada pra fazer com ela a não ser mover, se mover. É isso que se faz quando se está acuado, não acha, caro leitor?! Querer se mover é um instinto de liberdade incondicional.
E é o mundo virtual que, ao contrário do que muitos pensam, me impulsiona a ir contra a geografia da limitação. Ao invés de só me "rede socializar", eu quero mesmo é conexão de banda larga, entre pele, carne e alma. Tudo no plural. Decidi que, de agora em diante, a minha casa serão muitas. Aqui ou ali. E por favor, sem verdades absolutas, porque elas estragam tudo.
É sim. E é sobre verdade que quero conversar com você hoje, leitor. Vamos lá…
Willian de Baaskerville, personagem central da incrível obra de Umberto Eco "O Nome da Rosa", diz algo que nunca me saiu da memória: "talvez a tarefa de quem ama os homens seja fazer rir da verdade, fazer rir a verdade, porque a única verdade é aprendermos a nos libertar da paixão insana pela verdade". Lá na frente, o mesmo monge (vivido por Sean Connery no Cinema) alerta o seu discípulo: "teme os profetas e os que estão dispostos a morrer pela verdade, pois de hábito levam à morte muitíssimos consigo, frequentemente antes de si, às vezes em seu lugar".
E lá vem de cara, na minha cabeça, ele, Oscar Wilde: "uma coisa não é forçosamente verdadeira só porque um homem morreu por ela". Eu prefiro imaginar que ela, a coisa, pode ser mais verdadeira quando alguém resolve viver intensamente por ela. E você?!
Tem outro personagem da literatura que fala algo tão absurdo sobre a verdade, que também adoro, é Sherlock Holmes (criação do escritor e médico Conan Doyle), o famoso investigador diz: "quando você eliminou o impossível, tudo o que resta, por mais que improvável, deve ser a verdade".
Religião, Filosofia, Ciências Naturais e Economia Política. Um monte de fontes. Todas jorradas inesgotavelmente para a construção de verdades. Um sujeito norte-americano, famoso pela luta dos direitos civis, chamado W.E.B Du Bois (adoro o futurismo de seu nome), lá em 1933 afirmava: "há certos livros no mundo que todo aquele que procura a verdade deve conhecer: a 'Bíblia', a 'Crítica da Razão Pura', 'A Origem das Espécies', e 'O Capital' de K. Marx". E eu diria mais: juntar tudo isso e ainda ler a si mesmo, e querer saber do "outro", pode ser um caminho. Sem volta.
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada". Foi Clarice Lispector quem disse. Bem feito pra qualquer um de nós!
Diante de tantos pensamentos e de toda vã filosofia e dos mistérios que há entre isso e aquilo e entre qualquer céu e inferno, vale agora, pra desfecho desde domingo inventado, uma frase de Arthur Koestler: "A distinção entre verdadeiro e o falso aplica-se às ideias, não aos sentimentos. Um sentimento pode ser superficial, mas não mentiroso".
P.S: Como você se sente hoje?! Ou: o que você sente? Se preferir, pode responder diferente: sente algo da cintura pra baixo? E da cintura pra cima?
(Trecho da Coluna AlexPalhano, publicada domingo no jornal O Imparcial)
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