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DEOCLECIANO MENEZES COELHO

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Alcoolismo não tem idade.


"Não se pode falar de educação sem amor".

( Paulo Freire ) 

 

            Nessa última semana, tive a honra de receber um convite para falar sobre o Drama do Alcoolismo entre jovens, no V Seminário do A.A (Alcoólicos Anônimos) para profissionais. Sempre soube que este era um problema social dos mais graves em nosso país, no entanto, ao estudar o tema descobri dados assustadores os quais me levaram a aprofundar-me no assunto. Aproveito para agradecer ao A.A pela oportunidade ímpar de contribuir na luta pela implementação de políticas públicas de prevenção e combate ao consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens.

            Para quem ainda não sabe, o álcool é um dos grandes causadores de dependência entre os jovens e o segundo principal problema de saúde pública no Brasil, perdendo somente para o tabaco. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) “o álcool é a substância psicoativa mais consumida no mundo e também a primeira escolhida entre crianças e adolescentes. No Brasil, o álcool também é a droga mais usada em qualquer faixa etária e o seu consumo entre adolescentes vem aumentando, principalmente entre os mais jovens (de 12 a 15 anos de idade) e entre as meninas.” A questão não é especificamente o uso do álcool, mas o que existe por trás dessa estatística tão preocupante. Que razões levam o jovem ao consumo de álcool?

            O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), seção II, artigo 81, estabelece a proibição da venda à criança ou ao adolescente de bebidas alcoólicas (parágrafo II), e de produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda que por utilização indevida (parágrafo III). Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescentes aquela entre doze e dezoito anos de idade. O que nos parece, é que essa é mais uma daquelas leis que "não pegam", infelizmente por absoluta ausência de fiscalização das autoridades e permissividade de alguns pais.

            A adolescência é uma fase de instabilidade e vulnerabilidade, na qual os jovens são psicologicamente imaturos O desejo de pertencer a um grupo os torna facilmente influenciáveis, fazendo-os agir sem antes refletirem acerca das conseqüências de seus atos. Por exemplo, acabam bebendo apenas porque os outros também o fazem, na falsa idéia de que jamais serão dependentes, e às vezes terminam transformando-se em alcoólatras.

            Como se não bastassem os fatores intrínsecos à adolescência, existe em nossa sociedade, a falsa convicçãode que uma festa não pode ser divertida sem o consumo de álcool. Além disso, o marketing estrategicamente “arquitetado” que associa o álcool ao prazer, à diversão e até mesmo ao esporte. Ora, é óbvio que se o álcool é facilmente obtenível e fartamente propagandeado, seu consumo será cada vez mais precoce. Dessa forma, os jovens aprendem a agregarlazer com álcool e o consumo deste torna-se cada vez mais freqüente, gerando dependência tanto física quanto psicológica.

            Afinal, qual a responsabilidade dos pais, da sociedade e do Poder Público frente a esse problema? Se existe uma lei, por que esta não é cumprida? E, sendo lei, deveria ser aplicada até dentro de casa. O problema é que muitos pais aceitam com naturalidade uma bebidinha dos filhos. E o pior: às vezes são os primeiros a oferecer. É triste constatarmos que alguns pais se preocupem com as drogas ilícitas e são negligentes quanto à prevenção em relação às drogas legalizadas, como a bebida e o fumo. Lembro de uma matéria que li onde uma mãe foi ao psicólogo porque descobriu que seu filho havia fumado maconha no final de semana, entretanto no decorrer da consulta, o profissional constatou que era rara a semana em que o jovem não chegava totalmente bêbado em casa... Mas, absurdamente não era isso que a preocupava.

            Tanto pais indulgentes quanto pais muito rígidos e pouco afetivos favorecem o consumo de álcool excessivo pelos adolescentes. Independentemente do motivo : afetividade, atenção, carinho e uma boa conversa ainda são os melhores remédios. Na hora do “porre” não adianta gritaria nem sermões. Nessas horas, nada melhor que um “amanhã a gente conversa”, demonstrando que estão por perto para ajudá-los a amadurecer com limites e tranqüilidade, os quais são bem mais eficazes do que críticas e censuras. Está comprovado que, apenas proibi-los de beber não resolve. É preciso manter um diálogo que equilibre serenidade e firmeza para que entendam que não há acordo possível quanto ao uso e abuso do álcool, dentro ou fora de casa. É imprescindível que todos os adolescentes tenham uma visão crítica sobre os danos irreversíveis que o álcool pode provocar em suas vidas.

            Nesse sentido, não se trata apenas de controlar o comportamento dos filhos é essencial também saber como eles gastam o seu tempo e com quem relacionam-se fora de casa. Imponha limite e controle do acesso à bebida. Para isso é necessário saber com quem andam, aonde vão e os locais que freqüentam. Não se pode esquecer também que a bebida é responsável pelo aumento do número de acidentes e atos de violência, muitos deles fatais.

            Com tantos riscos à solta, os pais não podem eximir-se da tarefa de engajar-se na luta contra o alcoolismo, ensinando a importância de um estilo de vida saudável, incentivando à prática do esporte e atividades recreativas como a melhor alternativa para ocuparem seu tempo  livre (além do horário de estudo).

            Enfim, além de ser um problema de saúde pública, o alcoolismo tornou-se um problema social e deve ser debatido e combatido por todos os membros de uma sociedade, uma vez que não afeta só o consumidor, mas todos nós, resultando num alto custo social que poderia ser perfeitamente evitado.

            É nossa obrigação, como cidadãos, entrar nessa luta:  as associações juvenis, as escolas, os municípios, as famílias, as empresas, os sindicatos, as universidades, de modo a que possamos criar um ambiente propício à mudança de comportamento das gerações mais jovens.

REFERÊNCIAS :

Fonte:  http://www.webartigos.com/articles/9037/1/Alcool-E-Adolescentes-Fatores-De-Risco-E-Consequencias-Dessa-Relacao/pagina1.html#ixzz148QGYbkx (acessado em 02/11/2010)



O conteúdo disponibilizado pelos colunistas não reflete necessariamente a opinião da ELO Internet

Christiane Lima

Christiane Lima

Assistente Social, Psicopedagoga e Especialista em Saúde da Família, formada pela Universidade Federal do Maranhão. Atualmente atuando na área de educação e há mais de 10 anos, trabalha na área de saúde junto a adolescentes e gestantes.

Contato para palestra clique aqui


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Comentários sobre Alcoolismo não tem idade.

Jorge Antonio

Funcionário Público Estadual - MA
Pais..alerta contra comportamentos sem limites dos filhos..previnam-se enquanto é tempo...!!!!!!
 

Willian Silva

Tec. Enfermagem - MA
Quantos acidentes não poderiam ser evitados se houvesse mais controle sobre o uso de bebidas não só pelos jovens, mas também por adultos irresponsáveis......vejo em minha profissão tantas vidas se perderem inultimente...
 

Elaine Nogueira

Estudante - MA
Acho que o Governo deveria ser mais rigoroso na fiscalização da venda de bebidas para menores..punir com mais rigor os estabelecimentos que vendessem bebida ou cigarros para crianças ou adolescentes.
 

Nancy Rodrigues

Secretária - MA
O alcool e todas as outras as drogas (lícitas ou as ilícitas), estão tornando nossos jovens pessoas sem objetivos na vida..como esperar algo desses jovens totalmente comprometidos com seus vícios???
E que Deus nos ajude......
 

Regina Cavalcante

Funcionária Pública - MA
Concordo com o comentário acima da professora Marli, pois realmente existe isso de pais que são os primeiros a oferecer aos filhos o "primeiro golinho".
Infelizmente isso acontece..e o que hoje eles acham "bonitinho", amanhã poderá ser para eles uma grande problema..
 

Marluce Lima

- MA
Só quem vive ou já viveu, ou mesmo tem um amigo em situação igual como o alcoolismo ou qualquer outra droga, sabe o inferno que se torna a vida de todos da família, temos que acompanhar de perto o dia-a-dia dos nossos filhos para que nunca tenhamos de vivenciar situações semelhantes. Ótimo seu artigo.
 

Marli Torres

Professora - MA
Muito oportuno seu artigo, o álcool ao contrário do muitas pessoas pensam é tão pernicioso quanto qualquer outra droga considerada ilícita, e, realmente os pais muitas vezes são os primeiros a oferecer aos filhos "apenas um golinho" e não imaginam que poderão se arrepender amargamente depois.
 

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