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FOI APENAS UM SONHO

Leia a crônica do mundano jornalista publicada em sua coluna no jornal O Imparcial

Os franceses Phil Pedeches e Fred Lefebvre, donos do L'Apero
Os franceses Phil Pedeches e Fred Lefebvre, donos do L'Apero

(Trecho da coluna AlexPalhano publicada domingo, 17 de outubro de 2010, em O Imparcial)

“Saber o que você tem, saber tudo o que você precisa, saber como sobreviver sem tudo isso... Isso é controle de inventário”  (Frase do filme Foi Apenas um Sonho)

FOI APENAS UM SONHO…

Há um filme dentro de mim que não sai da minha cabeça. E vou dividir a insônia dele com você, amado leitor, porque não vou ficar só euzinho pensando que “foi apenas um sonho”… É, esse é o nome do filme também. Revi semana passada, pouco mais de uma ano quando o vi a primeira vez. Foi de novo um soco no estômago. Um tapa na cara. Você já assistiu? É bem provável que depois do que vou dizer aqui você corra pra locá-lo, de novo que seja. E acho bom!

Foi Apenas um Sonho é de 2008. Pra começo de conversar, demorou muito para alguém reunir o casal de Titanic (1997), o filme que mais arrecadou grana em Hollywood até agora. E que bom que o responsável por tal façanha tenha sido Sam Mendes, premiado diretor de teatro que migrou para o cinema em Beleza Americana (1999): sua estreia comprovou seu talento para discutir com maestria as relações conjugais, “o sonho americano” e as “fórmulas” da família perfeita.

Apesar de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet (vencedora do Globo de Ouro por essa película), o filme tá longe de ser uma história de amor como Titanic. Mas é uma história de amor que afunda, como muitas. Como os sonhos que vão juntos, descendo ralo a baixo. Como vários casamentos lindos, perfeitos e... Vazios.

Não vou falar aqui muito do filme em si: sinopse, enredo e técnica. Mas do texto que há nele. Do que ele provoca. Quero falar dos sonhos, dos medos e dos amores falidos. E de como a arte imita a vida.

Quantas pessoas não gostariam de trocar, por exemplo, a vidinha mais ou menos que têm por uma aventura que os façam se sentir vivos?! Quantos não trocariam do emprego (que tanto odeiam) para fazer o que realmente gostariam de  fazer, e, com isso, ao invés de só sobreviverem passassem a viver com seu trabalho?! Quem não queria de verdade fazer o que quer, sem se importar com que os outros falam? Quem não trocaria o medo pelo prazer?!  Só os mortos, caro leitor, só os mortos não sentem essa vontade; só os mortos não mudam. 

"Vazio sem esperança. Agora você disse o ponto. Muitas pessoas mergulham no vazio, mas é preciso ter coragem pra enxergar a falta de esperança", diz um personagem  do filme (o louco mais lúcido do drama) ao casal “perfeito”. É, às vezes, precisamos ver que a esperança também morre, mesmo sendo a última (há pessoas que morrem antes dela, o que é pior). Precisamos entender que a esperança, aliás, é muitas vezes uma inimiga camuflada, nos boicotando, nos impedindo de mudar, de olhar em volta, de dobrar a esquina do outro lado da rua que nunca ousamos andar, mas que tanto desejamos. A esperança é, quase sempre, uma amante que nos trai.

Há quem diga que quando se quer mudar de vida é porque estamos fugindo de algo. Que seja! Eu fujo do marasmo, da mediocridade, da ignorância, da falta de amor e de humor, do medo, das mentiras e principalmente, das repetições. Eu fujo de quem não muda e de territórios que continuam os mesmo há tempos. Fujo do lugar comum. Só não posso fugir de mim. Até posso, mas prefiro não. Não quero.

“Quando a gente não tenta nada, não temos chance de fracassar”… “E é preciso ter força de caráter pra se viver a vida que se sonha”.  Essas e as outras acima são as grandes questões que a história do filme joga na cara dos espectadores. E as respostas podem até ser óbvias, mas não são fáceis. Da teoria à prática há mais armadilhas do que se pode imaginar. Tentações, dúvidas, provações e o medo de trocar o certo pelo incerto. Mesmo sendo o certo, errado.

Assim como no romance de Richard Yates, que adaptado virou o filme, na vida há os vizinhos que só olham pra grama alheia e a invejam porque cresce mais verde que a deles. Quantas vezes não somos os nossos próprios vizinhos?! Vizinhos de nossos sonhos. Estamos tão perto do que somos, que só por isso deixamos de ser. É, quantos de nós não nos tornamos apenas espectadores da vida, dos filmes, dos livros? Não nos tornamos assim mais espectros do que gente?

Não lembramos mais o que é ser consumido pelo desejo? Esquecemos o que é paixão? Não somos mais movidos por ela? Nem ao menos gelados nós somos. Somos voyeurs tépidos, como a água da torneira. Como um corpo ressequido que bóia no mar morno do Maranhão.

"Me diga a verdade. Lembra-se disso? Nós costumávamos viver pela verdade. E você sabe o que é tão bom em relação à verdade? Todo mundo sabe o que é, não importa quanto tempo tenham vivido sem ela. Ninguém esquece a verdade, apenas melhoram as suas mentiras”, vomita a personagem de Kate para o marido vivido por Dicapri, quase no fim. Aliás, o final do filme tem uma cena que fala tudo: sobre palavras que não queremos ouvir e silêncios que precisam falar. 

É, essa história diz muito sobre o poder das palavras lançadas. E que elas não têm volta. Como estas. E tenho dito.

 

 

Leia + Mundanidades no site Alex Palhano  

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ALEX Palhano

ALEX Palhano

Jornalista, produtor e cool hunter. Alex Palhano escreve sobre noite, moda, música, cinema e personalidades. Edita duas colunas no jornal O Imparcial (sextas e domingos) e tem um badalado site de noticias (www.alexpalhano.com). Hoje vive em São Paulo. Faz festas, ataca como DJ e produz eventos culturais para empresas e instituições.


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