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DEOCLECIANO MENEZES COELHO

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POR ENQUANTO, ATÉ QUANDO?

Leia trecho da coluna do mundano jornalista, publicada domingo no jornal O Imparcial

Veja mais fotos fotos publicadas no www.alexpalhano.com.br
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“Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento”    Érico Veríssimo

 

Precisamos mudar. E um monte de coisas. Pra começo de conversa, a modernidade nos deixou com poucas ilusões. Estamos no século 21, mas olhando de longe, de perto e de qualquer lado, o século passado ainda se arrasta com seus valores ultrapassados e espalhará ainda, por mais alguns anos, a tesão/presão da sociedade pós-moderna. A idéia de progresso trouxe competição, hiperconsumismo e destruição de ambientes naturais.  Quem vai mudar isso? Seremos nós?

Hoje vamos parar um pouco. Parar pra seguir. Hoje vou, mais uma vez, te encher de perguntas. E talvez encontremos as respostas, nem que nos viremos de cabeça pra baixo para achá-las, assim como as respostas certas nas palavras cruzadas que estão lá, pertinho da gente. É... Vamos ter que nos virar.

Mais uma vez, volto de São Paulo pra São Luís naquele vôo direto (uma maravilha que não nos deixa tão ilhados): são três horas e alguns minutos que evitei tomar meu lexotan de bolso. Vim quebrando a cabeça mesmo; cheio de perguntas, além daquela básica que algumas vezes fazemos às alturas: e se o avião cair?! O que terei feito até agora? Não só pro meu mundo, mas o que fizemos ao mundo? O que estamos vivendo?

Parte do planeta acredita em futurismos, parte do planeta é negativista, parte do planeta crê em soluções, parte do planeta é devorada. Parte do planeta se cala. Nas nuvens, com a cabeça a mil, vieram até mim um monte de perguntas... Tá pronto?! Senta, que lá vem...

 Até quando as mulheres vão se casar de vestido branco, véu e grinalda? Até quando “santos” vão pedir perdão em público pelos outros de sua instituição sem ao menos mudarem por dentro?Até quando as pessoas vão defender as energias poluentes? Até quando dogmas religiosos vão impedir pesquisas científicas? Até quando muitos ainda vão reagir contra a internet? Até quando um norte-americano consumirá 570 litros de água por dia? Até quando 1 bilhão e 100 mil pessoas no mundo vão viver sem água potável?

Até quando serão fabricados 50 milhões de carros por ano? Até quando estacionamentos de carros serão mais importantes do que parques públicos? Até quando poços de petróleo vão vazar e provocar desastres ecológicos irreparáveis? Até quando vamos deixar nossa cidade se parecer com um Grand Canyon em formação, de tanto buraco que tem? Até quando vamos ter a impressão de estarmos andando pra trás? Até quando um show de axé em São Luís esvaziará uma boate? Até quando Joelma e Chimbinha vão bater recordes de público por aqui? Até quando a música de Luan Santana tocará em camarote de “vips” maranhenses em show dos Scorpions?  

Até quando a China fabricará guarda-chuvas descartáveis? Até quando teremos carroças? Até quando as indústrias de alimentos vão considerar os animais como máquinas? Até quando Shangai restringirá o uso da bicicleta como meio de transporte e incentivará o uso do automóvel? Até quando o coronelismo existirá? Até quando teremos trabalhos escravos? Até quando o Maranhão continuará na lista de estado pobre? Até quando a fome vai continuar matando?

Até quando existirá a imagem do Papai Noel? Até quando existiram galãs de novela? Até quando a Globo evitará o beijo gay? Até quando os ódios étnicos vão dividir o mundo em fragmentos geográficos cada vez mais isolados? Até quando estaremos em guerra? Até quando o preconceito impedirá o outro de ser feliz? Até quando falaremos de cotas?

Por enquanto, Tuvalu, Ilhas Marsall, Maldivas e Bangladesh são países pobres ameaçados pelos volumes dos oceanos que sobem com o desgelo das calotas polares. Por enquanto, o México continua a ostentar o índice de atmosfera mais poluída do mundo. Por enquanto, a Toshiba fatura mais do que a economia do Uruguai, da Islândia e da Grécia somadas. Por enquanto, o Maranhão fica mais quente e anda pegando fogo, literalmente.

Por enquanto, Lodres vai implantar 140 novos parques públicos até 2020.  Por enquanto, Amsterdãn implementa programas que até 2015 vão transformara bicicleta no meio de locomoção usado por 90% da população. Por enquanto, Nova York observa um declínio de 18% no uso de automóveis nas ruas. Por enquanto um terço dos moradores de Berlim usa bicicleta para se locomover. Por enquanto, não existe um assassinato no Japão desde 2003. Por enquanto, nenhuma morte por orverdose ocorre há cinco anos na Holanda, desde que se legalizou a tolerância  a usuários de drogas.

E por enquanto, o Maranhão segue. Pra onde? E o Brasil?  Seria bom que você pensasse em todas essas perguntas no dia 3 de outubro. Pode parecer clichê, mas não é: as respostas ainda estão seguras em nossas mãos. Quem tem o poder de mudar tudo mesmo? Ainda não aprendemos? Precisamos mudar, caro leitor. Rápido.

(Para ver as fotos, ler mais crônicas publicadas em O Imparcial por este jornalista e outras mundanidades suas, acesse: www.alexpalhano.com.br )

Twitter: http://twitter.com/AlexPalhano

E-mail: alexpalhano@gmail.com



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ALEX Palhano

ALEX Palhano

Jornalista, produtor e cool hunter. Alex Palhano escreve sobre noite, moda, música, cinema e personalidades. Edita duas colunas no jornal O Imparcial (sextas e domingos) e tem um badalado site de noticias (www.alexpalhano.com). Hoje vive em São Paulo. Faz festas, ataca como DJ e produz eventos culturais para empresas e instituições.


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Comentários sobre POR ENQUANTO, ATÉ QUANDO?

Christiane Lima

- MA
Oi Alex, parabéns pelo artigo ! você tem toda a razão, precisamos mudar. Até quando iremos aceitar passivamente tantas arbitrariedades ? concordo plenamente.
 

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