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“Filhos : amá-los é inevitável e educá-los um gratificante desafio.”
A adolescência1 é uma das etapas de desenvolvimento mais significativas pela qual passa todo ser humano. Uma etapa de transformações físicas, mudanças nas relações sociais estabelecidas, assim como de questionamento de valores e sentimentos que contribuem para o exercício da vida adulta. Entre as experiências importantes dessa fase, temos o início da vida sexual e reprodutiva e as expectativas levantadas em torno da vida produtiva.
Nesse contexto, temos a gravidez na adolescência, um grave problema de saúde pública. Mas como chegamos a essa situação preocupante? Considero o sexo desprotegido como um dos grandes vilões da vida amorosa dos jovens desta geração.
Dados do Ministério da Saúde mostram que a idade da primeira relação sexual que antes iniciava-se entre 16 e 18 anos, agora acontece aos 14. Já os garotos que antes eram iniciados com profissionais do sexo, agora transam até nas baladas. E ao entrarem na adolescência, sentem-se “pressionados” a provar sua masculinidade saindo com uma ou mais garotas; enquanto que, com meninas ocorre justamente o contrário, se ela experimentar sair com mais de um rapaz, logo terá sua reputação difamada. Mediante a visão machista e conservadora que ainda persiste em nossa sociedade, na qual é permitido ao sexo masculino “experimentar”, como fica o sexo feminino que é “experimentado”?
No Brasil o número de grávidas adolescentes é alarmante.Pesquisas mostram que 1/3 dos bebês nascidos no Brasil são filhos de “meninas” com menos de 18 anos de idade, a grande maioria solteiras.E quando falamos em “meninas” temos que considerar inúmeros aspectos : encontram-se em plena fase de desenvolvimento, a maioria não possui condições financeiras nem emocionais para compreender e assumir em toda a sua plenitude o real sentido da maternidade. E como se não bastasse: convivemos ainda com os tabus morais de algumas famílias e a deficiência ou inexistência de orientação sexual. Sendo assim, algumas adolescentes grávidas saem de seus lares e parte delas evade-se da escola, abandonando seus projetos de vida, interrompendo seu processo de socialização e abdicando de sua cidadania.
Contudo a gravidez na adolescência não é unicamente uma responsabilidade das meninas, pois esse filho não é gerado por uma única pessoa. O jovem pai também deve saber sobre os riscos da gravidez não planejada em todos os seus aspectos, do moral ao social, assim como também da grande responsabilidade e da privação que pode ocasionar ao gerar um filho.
O caminho para chegarmos a uma das prováveis respostas para entendermos o porquê de tantas mães e pais adolescentes é bem simples e para isso não precisamos ser nenhum “expert” no assunto. Basta olharmos a nossa volta para percebermos vários fatores que contribuem para essa problemática: dentro da mesma casa, pais e filhos estão cada vez mais distantes; somados a isso, a carência de diálogo e uma completa falta de esclarecimento sobre limites. Há ainda o "ficar", prática cujos sentidos se estruturam em torno do não compromisso, da eventualidade e da atração física, apresentando-se como um novo tipo de relacionamento. Sem esquecer que a mídia também tem sua parcela de responsabilidade por despertar a sexualidade e nem sempre atrelar os aspectos preventivos e afetivos que abrangem a situação.
Além de tudo, faz parte dessa etapa da vida, a chamada invulnerabilidade, uma espécie de pensamento que os leva a crer que são inatingíveis: “isso não acontecerá comigo”; ou mesmo a energia arrebatadora e impulsiva do “depois a gente pensa nisso".
Por esse e outros motivos, os pais precisam estar conscientes de que na hora de esclarecer dúvidas sobre sexo ou sexualidade, inclusive gravidez, é bem melhor que os filhos os procurem, que se sintam seguros para essa abordagem e saibam que esse tipo de dúvida é muito natural nessa idade. Dessa forma, os pais devem estar atentos e acompanhar as mudanças pelas quais os adolescentes passam, e assim tornarem-se disponíveis para um diálogo franco e aberto. Guiando-os e informando--os não somente sobre gravidez e sexualidade, mas também sobre métodos anticoncepcionais, DST’s e acima de tudo, sobre virtudes e sentimentos como afeto, amor e respeito a si mesmo e ao próximo, irão possibilitar independência e segurança para assumirem as atitudes e conseqüências próprias à uma vida sexual ativa e responsável.
1. Conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu art. 2º, considera-se adolescente a pessoa com idade entre doze e dezoito anos.
REFERÊNCIAS:
1) Bemfam. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), 2003.
2) Ministério da Saúde. Relatório 2001.
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São Luís - MAParabéns pelo artigo. Concordo com você ao escrever que uma das causas da gravidez na adolescência não é o sexo em si, mas a falta de prevenção, justamente em uma época que temos tantas formas de prevenir. E a consequência é uma geração de adultos fustrados, por não ter tido uma infância equilibrada, um lar equilibrado.