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BULLYING : violência disfarçada de brincadeira.

BULLYING : violência disfarçada de brincadeira.


         Apelidos depreciativos, fofoquinhas, piadinhas sem graça e de mau-gosto ... levante a mão quem nunca zombou de alguém ou não foi alvo de gozação na escola.

         Sabemos que brincadeiras sempre existiram no ambiente escolar. É lógico que estas não podem ser proibidas, assim como nem toda piadinha ou apelido pode ser caracterizado como bullying, caso contrário iremos cair no extremo oposto da tolerância zero. Mas é necessário distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão. Para isso, basta seguir uma regrinha infalível e perguntar-se “eu gostaria de ser chamado assim ?"

          A agressividade é sempre um tema da atualidade, especialmente a agressividade presente nas escolas entre alunos, sejam estes crianças ou adolescentes. Estou falando de uma violência que acontece de forma maldosa, que machuca a alma, e pode deixar cicatrizes eternas. O que pode existir de mais cruel do que divertir-se às custas do sofrimento alheio ? ou divertir-se com piadas pejorativas que geralmente humilham, ofendem e ressaltam alguma característica física ou psicológica que geralmente a vítima desejaria não possuir ?

         Piada, brincadeira, só é boa quando todos os envolvidos acham graça, gostam e se divertem. Mas quando estas têm a intenção de aterrorizar, intimidar, excluir ou fazer sofrer, deixam de ser legais e viram violência, ou melhor : Bullying. “Como não existe uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar todas as situações de BULLYING possíveis, o termo compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima”.Fonte : (http://www.bullying.com.br/BConceituacao21.htm#OqueE - acessado em 12/09/2010)

            Muitas das vezes, esse tipo de comportamento tem seu alicerce dentro da própria casa, quando alguns pais costumam denominar, com certo orgulho, de  "personalidade forte" do filho ou "excesso de energia"; aquilo que os profissionais denominam de transtornos de conduta. Nunca é cedo demais para intervir, pois crianças que machucam crianças naturalmente transformam-se em adultos que machucam adultos. Infelizmente as estatísticas provam que a agressividade manifestada em idade pré-escolar, se não tratada, evolui de forma negativa.

            Há fortes indícios de que as crianças ou jovens que praticam o Bullying têm grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais, psicopáticos e/ou violentos, tornando-se, inclusive, delinqüentes ou criminosos. Normalmente o agressor acha que todos devem atender seus desejos de imediato e demonstra dificuldade de colocar-se no lugar do outro.   (Fonte. www.psiqweb.com.br - acessado em 12/09/2010)

 

          Quanto às vítimas de bullying, geralmente seu aproveitamento escolar diminui e isso aparece nas notas. Ela parece feliz nos finais de semana e infeliz durante a semana. Prefere a companhia de adultos e passa a reclamar de dor de cabeça e de barriga, por exemplo. Algumas apresentam insônia ou pesadelos. Voltam para a casa machucadas ou com os pertences destruídos. Além disso, existem conseqüências muito mais graves, as quais vão desde a depressão, angústia, baixa auto-estima, estresse, evasão escolar, atitudes de autoflagelação e  até o  suicídio. Exagero ? antes fosse ...Vamos citar alguns exemplos :

          Em janeiro de 2003, Edimar Aparecido Freitas, de 18 anos, invadiu a escola onde havia estudado, no município de Taiúva, em São Paulo, com um revólver na mão. Ele feriu gravemente cinco alunos e, em seguida, matou-se. Obeso na infância e adolescência, ele era motivo de piada entre os colegas; Na Bahia, em fevereiro de 2004, um adolescente de 17 anos, armado com um revólver, matou um colega e a secretária da escola de informática onde estudou. O adolescente foi preso. O delegado que investigou o caso disse que o menino sofria algumas brincadeiras que ocasionavam certo rebaixamento de sua personalidade.

          Os pais precisam estar atentos e ao menor sinal devem intervir, pois quando a criança resolve falar sobre seu sofrimento, geralmente é porque já é assediada há muito tempo. Por outro lado, vale ressaltar que os “bulies” (praticantes do bullying) também precisam de atenção redobrada, já que muitas vezes esse comportamento é fruto de desequilíbrio emocional, advindo de desajustes familiares e este o reproduz no ambiente escolar.

          Ainda assim, não podemos generalizar, pois também há bons pais com filhos praticando bullying. Então é preciso conversar e investigar o porquê desse comportamento, sem esquecer que também é preciso fazer uma reflexão sobre como se está educando.

          Bullying  se resolve com o envolvimento de toda a escola  (direção, docentes e alunos). Algumas vezes, é necessária ajuda profissional. Mas para interromper este processo e começar a criar vínculos de afetividade e respeito nada melhor que a família, que deve estar bem consciente de sua tarefa educativa, provedora de proteção e segurança, essenciais ao crescimento da criança, gerando uma melhor adaptação emocional ao meio e favorecendo um desenvolvimento sadio de condutas sociais e respeito ao próximo.



O conteúdo disponibilizado pelos colunistas não reflete necessariamente a opinião da ELO Internet

Christiane Lima

Christiane Lima

Assistente Social, Psicopedagoga e Especialista em Saúde da Família, formada pela Universidade Federal do Maranhão. Atualmente atuando na área de educação e há mais de 10 anos, trabalha na área de saúde junto a adolescentes e gestantes.

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Comentários sobre BULLYING : violência disfarçada de brincadeira.

Denise

pedagoga - PR
Adorei teu trabalho,estou fazendo pesquisa sobre BULLYNG,vou realizar um tcc com o tema: bullyng:brincadeira ou violêcia na escola. e gostaria que vc me envice algumas referencias ou textos falando desse asunto tâo comentado mas pouco conhecio pela comunidades escolar.
 

KELLNAYRA

ESTUDANTE - MA
muito bom ,vou acompahar seus trabalhos
 

Christiane Lima

São Luís - MA
Caro Roberto,
Você tem toda razão. Se todos tivessem essa percepção, com certeza esse tipo de comportamento seria encarado realmente como deve ser : uma violência ! obrigada pela participação. Christiane Lima
 

Christiane Lima

São Luís - MA
Cara Ana Lúcia,
Só tenho a agradecer suas palavras de incentivo e confiança. Conto sempre com sua colaboração. obrigada. Christiane Lima
 

Christiane Lima

São Luís - MA
Cara Fátima,
Acho que muitas escolas também precisam de mais educadores assim como você, com esse olhar sensível a atento. Parabéns e muito obrigada pela rica colaboração. Christiane Lima
 

Sônia Silva

Educadora - MA
Artigos como esses servem para nortear nossos horizontes em relação a como educar nossos filhos e como tratar esse assunto na escola, pois nos deparamos com situações como essa sempre. Parabéns.
 

Fátima

Professora - MA
Christiane,você tem razão - o bullying realmente existe nas escolas e precisa ser trabalhado com mais seriedade. Como professora, já deparei com um caso que se não tivesse acontecido a intervenção da escola, as conseqüências com certeza teriam sido muito desagradáveis.
Você tem razão quando diz que os praticantes do bullying precisam de atenção, pois pessoas que sentem prazer em menosprezar ou mesmo humilhar publicamente seus colegas, demonstram no mínimo, desequilíbrio emocional, que se não for tratado a tempo, pode evoluir para coisas bem piores.
Pais - se souberem que esse tipo de coisa acontece com seu filho, denuncie para a direção da escola para que sejam tomadas as devidas providências - isso é muito sério.

 

Reberto Castro

Comerciante - MA
Muito bom, é importante os educadores estarem atentos a estes sináis, para evitar futuros problemas com nossas crianças
 

Ana Lúcia Lima

Pedagoga - MA
A Elo está de parabéns pela abordagem de temas tão atuais como o da Colunista Christiane Lima. Todos nós vivenciamos no dia-a-dia ou na profissão, momentos como esses ou conhecemos alguém que já passou por isso. Maravilha, queremos mais.

 

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