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“Quando a árvore é pequena, o jardineiro orienta-a como quer. Mas quando a árvore cresceu, já não pode re-orientar as suas curvas e sinuosidades.” (Abu Shakur)
A adolescência é considerada uma fase tão rica de transformações, em todos os sentidos, que foi considerada pelo psicanalista Maurício Knobel, uma síndrome, a síndrome da adolescência normal, onde são tratados como normais, nesse período, os transtornos, os conflitos e as ações atípicas, que em outros momentos da vida poderiam ser considerados patológicos.
E já que iremos falar sobre a adolescência, não podemos deixar de falar também sobre sexualidade, afinal é na adolescência que esta encontra-se "à flor da pele", com as transformações do corpo, da cabeça e dos hormônios que estão funcionando a mil por hora. No entanto, não podemos restringir a adolescência como mera acomodação à metamorfose corporal pela qual passa nessa fase, mas como um período crucial no ciclo de vida de uma pessoa, durante o qual precisa definir sua postura social, familiar, sexual e dentro do grupo no qual encontra-se inserido.
A sexualidade é um aspecto inerente à personalidade humana e que representa muito mais do que o ato sexual, pois envolve a descoberta do corpo, dos sentidos e está presente desde o ato gestacional.
Nesse sentido, o tema “sexo” tornou-se um dos mais discutidos e talvez obrigatório nas “rodas” de pais de adolescentes. Ainda assim, muitos ainda sentem-se despreparados ou ficam apreensivos para essa abordagem. Alguns confessam ficar constrangidos e outros defendem a idéia de que conversar sobre sexo com os filhos pode incentivá-los a ter relações precocemente. Essa insegurança para falar sobre sexualidade obstrui o direito que os jovens têm à uma fonte segura para esclarecer suas dúvidas.
Oferecer apenas informações técnicas aos jovens não basta. Conversar naturalmente sobre sexualidade cada vez que a criança ou o adolescente demonstra curiosidade, não significa antecipar sua vida sexual. Muito pelo contrário, se recebem uma informação adequada, estarão protegidos contra pedófilos, assédio sexual e abusos. Os pais precisam abandonar o temor de serem taxados como autoritários, intransigentes e ultrapassados ou de sentirem-se culpados por invadirem a privacidade de seus filhos adolescentes. Devem sim pensar que, é bem melhor e seguro, que estes sejam orientados em casa, esse elo de comunicação deve ser criado, e se já existe, deve ser preservado.
Fagundes (1995) 1 acredita que se uma criança não tem desde cedo um esclarecimento sobre assuntos ligados ao sexo, não compartilha seus medos e ansiedade com seus pais. E os pais não lhe dão apoio nas suas descobertas, certamente ela será um adolescente carregado de dúvidas buscando em revistas e conversas com amigos o entendimento deste processo e, provavelmente, um adulto com complexos, culpas e preconceitos, a sexualidade infantil estabelece as bases para sexualidade na adolescência e para a sexualidade na vida adulta.
Concordo plenamente com o modelo de educação de liberdade vigiada , já que em tempos de “super informação”, com a internet, televisão e censura questionável ... percebemos uma exposição freqüente dos jovens à situações onde a erotização e o apelo sexual, a maioria das vezes explícito, ainda não é bem assimilado por eles. Os adolescentes de hoje expressam-se como adultos, insistem em comportarem-se como adultos, reivindicam os “privilégios” dessa etapa da vida e no entanto falta-lhes a experiência e a responsabilidade para tal, pois nem sempre a maturidade física vem acompanhada da psicológica, isso faz com que o adolescente se coloque em situação de risco e vulnerabilidade.
Enfim, não existem regras que assegurem o modelo ideal de orientação sexual, mas uma coisa é certa : este não deve ser austero, inerte ou despótico. Mas levar em conta as fases de desenvolvimento do ser humano, sem ter absolutamente que antecipar a ordem natural da vida, do crescimento e da maturidade.
Volto a insistir : nossos adolescentes necessitam muito mais do que informações. É imprescindível que família e escola adotem a mesma linguagem acessível. Os pais devem ser incansáveis em se tratando de observar o comportamento dos filhos; devem estar disponíveis 24h por dia para participarem de perto de suas vidas e invariavelmente estarem atentos para compartilharem suas angústias e anseios, pois somente assim poderão orientá-los e encaminhá-los de forma mais segura e confiante.
E por fim, para os pais que ainda acham-se “desorientados” e lhes falta espontaneidade para tal missão, minha sugestão é que procurem auxílio de profissionais capacitados para conversarem sobre isso.
REFERÊNCIAS :
1FAGUNDES, Tereza: Educação Sexual, construindo uma nova realidade. Salvador, UFBA, 1995.
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Janice
Professora - SPUma coisa que você não citou e que eu por trabalhar o tema com adolescentes( que não são meus filhos), me deparo com a seguinte situação, por mais abertos que sejam os pais, os filhos não querem falar sobre este assunto com os pais, por vergonha. Preferem conversar com amigos, com amigas da mãe, um parente mais próximo, e na escola, com os professores. É um fato relevante. Os filhos em alguns momentos farão suas perguntas aos pais, mas somente se esses esclareceram o assunto na infância dizendo a verdade. Se o assunto foi tratado, com fantasias e rodeios, jamais confiarão esse assunto aos pais!