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“Ó minha cidade deixa-me viver, que eu quero aprender tua poesia...”
(Bandeira Tribuzzi)
Mais uma vez estou escrevendo esta coluna naquele voo direto São Paulo/São Luís. Nas alturas, de volta à Ilha, imagino passar uma semana pra matar a saudade: e ela promete, a semana, assassinar sem pena essa saudade com troação forte, insônia com amigos queridos e, claro, com uma overdose de colo de mãe e grandes banquetes em família. Sim, sim, e muitas reuniões de negócios: projetos e invenções que prometem sair da cabeça e, claro, agitar nossa cidade.
Morar em São Paulo por uns tempos, não faz eu desistir de São Luís. Ao contrário, aumenta meu desejo por ela. Quer ver?! Pensa comigo e entenda um pouco desse meu caso de amor com esta cidade, onde muitas vezes já me senti ilhado (ainda bem que “nenhum homem é uma ilha”)...
Tudo parte do desejo. Não só porque “o desejo é a própria essência do homem”, como escrevia Spinoza, mas também como pensava Sócrates e acredito eu: “o amor é desejo, e o desejo é falta”. Platão ainda reforça essa ideia: “o que não temos, o que não somos, o que nos falta, eis os objetos do desejo e do amor”. São Luís me falta; muitas vezes faltou comigo e nela falta muita coisa da qual eu desejo. Tá explicado, portanto, porque ainda a quero?! É uma teoria. Na prática, sinto mais saudade dela do que falta. (Se você pensar bem vai ver que saudade é um troço diferente de “sentir falta”. Mas esse exercício eu deixo você fazer sozinho hoje. Lá adiante, outro dia talvez, vamos tocar nesse assunto, daí trocamos umas ideias. Tá bom?!)
E pensando em amor, desejo e em toda essa enorme Ilha em que nasci, voei ao seu encontro perguntando-me do que sinto falta e do que não sinto nem saudade...
Fiz uma lista.
Sinto falta de ver o mar e do luxo de poder dar uma volta na Litorânea e ir contemplar o por do sol incrível que temos, de qualquer canto. Tenho saudade do banho de mar e de sua água morna. Mas sinto vergonha de nossas praias serem impróprias para tal prazer. Não sinto falta das sujeiras, do descaso, nem do abandono. Não sinto nem um pingo de saudade da Praia do Meio. Não sinto falta dos carros de som, dos portas malas dos playboys cafonas, da febre retardada de forró, nem do cara chato que fica horas falando ao microfone enquanto a radiola tenta jogar suas “pedras”. Tenho saudade do reggae quando tocava.
Sinto falta do melhor camarão do mundo, da pescada, do peixe frito na beira da praia e de se comer tão bem embaixo de uma árvore, como se faz quando vamos à Raposa. Não tenho saudade nenhuma do péssimo atendimento de nossos bares e restaurantes. Sinto falta do cachorro quente do Flert: acredito muito naquela maionese. Não sinto falta da falta de higiene e do fedor de mijo da rua dos trailers. Nem uma gota de saudade dos vigias de carro.
Sinto saudade do tempo em que amanhecíamos todos, porque faz parte do maranhense amanhecer nos lugares. (Saudade do Deusimar). Não sinto falta de ter que acabar no melhor da farra porque inventaram um toque de recolher às 2h ou às 3h da manhã. Maranhense é doido, mas não é moderno. Sinto saudade do abraço. Não sinto falta da falta de senso e da intimidade provinciana de querer dá conta da vida alheia. Não sinto falta da fofoca, nem tão pouco do jornalismo marrom, dos pequenos e grandes.
Não sinto falta das inúmeras revistas, nem dos tantos “folclóricos” programas das tevês locais. Mato a saudade seguindo os twitters da @revistapessima, @abranca_, @ofofao, @a_marron e @RealSerpente. E sim: a maioria das vezes sinto #vergonhaalheia do nosso jornalismo. Mas morro de saudade da atmosfera, do humor e da loucura da Redação de O Imparcial. Sinto muita saudade das colegagens.
E, claro, sinto muita falta do nosso português “mais correto”. (Meu! Paulista fala muito errado, mano! ). Sinto saudade das conjunções verbais entre nós. Não sinto falta da preguiça de como se fazem “as coisas” na e pela cidade. Não sinto saudade das ruas sem calçada, das avenidas sem árvores, dos buracos, nem do trânsito (desse nem preciso, porque não sinto falta; onde vivo, abunda). Não sinto falta do Centro Histórico, porque há tempos ele já foi esquecido. E não foi por mim.
Poderia continuar aqui numa lista interminável de faltas, saudades e amores sobre a Ilha; mas o piloto acaba de avisar que vamos pousar. O que me faz lembrar de uma revolta: não sinto saudade, nem falta do aeroporto Cunha Machado (essa rodoviária metida à besta, onde o capeta parece ser o diretor-geral de tão quente e escura que é).
Ah! E se tem uma coisa de que não sinto saudade mesmo é do calor de São Luís. E ponto final.
E ENQUANTO ISSO... MEU FLASHE ENCONTRA GENTE DO MARANHÃO EM SAMPA E GENTE DE SAMPA QUE TEM UM CASO A ILHA DO AMOR OU QUER ENCONTRAR UM MARANHÃO PRA CHAMAR DE SEU...
A danada publicitária paulistana Alessandra Zanetti, que também já descobriu Os Lençois Maranhenses e quer descobrir mais!
A professora do Uniceuma Silvana Duailibe... Entre o Doutorado em Odontologia no Rio de Janeiro, um pulo na absurda noite de São Paulo é muito saudável: aqui com o DJ Edu Corelli, no poderoso club D-Edge! E ele que já manteve um caso de amor com São Luís, em históricas festas desde a epóca das lendárias festas da Vangurada e da Extravagance...
Aureo Moreira, empresário de moda na capital paulista. O cara já desfilou bons negócios para grandes lojas de São Luís. O namoro com o Maranhão é antigo!
Carol Segatto dona da marca infantil Dolce Abraccio e sócia do modelo Cássio Reis na griffe Noah, que também é moda para os pimpolho. A bela empresária paulista cultiva um facínio pelo nosso estado que colherá muito breve, bem de perto.
O empresário maranhense Francisco Teles, da Sentinela Vigilância & Segurança Armada. Aliás, o homem anda por São Paulo expandindo o mercado de sua empresa, unindo-se a uma multinacional.
Os noivos Rossane Fatica e Vini Duek, também do ramo de moda em São Paulo com clientes em São Luís. Essas cidades se costuram bem!
Fotos: Alex Palhano
Pra ver mais fotos acesse: www.alexpalhano.com.br
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Monica Marletti Almeida
Dentista - MAO tempo falta e a saudade rara, muito aprendizado na lembranca e adorei o texto...E Bandeira que era considerado comunista na era da ditadura...