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NO MEIO DO CAMINHO, UMA BALA PERDIDA


(Fotos e crônica publicados domingo, 06 de fevereiro de 2011, na Coluna AlexPalhano do jornal O Imparcial)

E NA NOITE DE ABERTURA DA PRIMEIRA EDIÇÃO DA CASA COR MARANHÃO, FEZ-SE A LUZ! AQUI UNS FLASHES BEM BRILHANTES... AS FOTOS SÃO DO NOSSO JADER CASTRO.


 NO MEIO DO CAMINHO, UMA BALA PERDIDA

"Foi uma história bonita, mas insuportável. Os amores impossíveis não acabam jamais. São aqueles que duram para sempre”
(do filme “O primeiro que disse”)
 

Na semana que passou postei no Facebook uma dica de um filme que assisti em São Paulo. Mas antes de falar do filme em si e de outras leituras que me fazem seguir diante de mim, longe de espelhos óbvios, vou “cutucar” uma coisa pra você leitor: é mais difícil ficar quieto do que dizer o que se pensa. E no meu caso, então, é pior: de sentir o que penso. Putz... Eu me coço todo.
 
Que mania minha a de que querer por tudo numa página em branco. Só porque nada me passa em branco?! O que era pra ser difícil fica fácil. Uma armadilha? Pode ser. Só não aceito auto boicote, disfarçado de autoajuda. É que o que escrevo acaba virando meu próprio inventário; o que pode ser um perigo, porque se ninguém usa isso contra mim, eu mesmo esfrego na minha cara: é o papel que me cabe. E eu não me caibo em mim, nem a vida por dentro, nem o mundo de fora.  Aí escrevo. É uma das maneiras que encontrei de dobrar a esquina, de mudar de quadra, de rua, de virar à esquerda, de ir... E de, às vezes, cair em mim. Acontece. Quando não caio num buraco...

Já falei aqui que tudo me chega em dose dupla. Dor e alegria, principalmente. Gosto assim. Do gosto das coisas, das causas, dos efeitos (dificilmente leio a bula que é pra não travar, mesmo desconfiado). E feito uísque cowboy, tomo de uma vez, de cara, o que me chega inevitavelmente porque me chega. Tudo bem que procuro, corro atrás, vasculho páginas, gentes, carnes e almas; mas que elas (essas coisas)  também me chegam assim, quase do nada, ah isso não tenho a menor dúvida. E como explicar “aquela saudade de tudo que ainda nem vi”?!
 
Desconfio, quanto tô um tanto alto dessas doses (que doses?! volte e leia tudo de novo, por favor...), que sou uma espécie de imã. Tem coisas que se instalam em mim que nem que eu não as quisesse (mais), não me largariam. Aí, vão ficando... Eu que vou ficar brigando com a vida? Na porrada, aprendi: melhor não. E olha que sou bom de luta. Como diria uma amiga: “Oxiii”!  
 
Enfim, vamos ao filme e às outras imagens de que falei lá em cima... Foi um dos filmes mais interessantes que vi neste começo de ano; e olha que já assisti aos novos, incríveis, belos e perturbadores  “Cisne Negro” e “Biutiful”.  Falo do italiano "O primeiro que disse" ("Mine Vaganti) , de Ferzan Ozpetek. Depois de “A Single Man”, do Tom Ford, e de “Dançando no Escuro”, de Lars von Trier, fazia tempo que não me trancava no banheiro do cinema depois da sessão pra chorar escondido. Em vão. Minha cara sempre me entrega.  Dessa vez, um sujeito descobriu minha caverna e me disse na lata: “calma, é só um filme”. E, rápido como uma bala perdida, o acertei (ou o errei pra sempre): “não meu caro, o que vi não foi só um filme”.  Lavei o rosto e sai dali rindo mais de mim do que dele. 
 
De fato, sai do cinema feliz. As lágrimas eram só meu “Omo Dupla Ação”: lava e enxagua a alma, depois nada fica em branco. Como já havia dito sobre a brancura inexistente das coisas em mim, lembra?!

“O primeiro que disse” nos faz rir muito e chorar bastante. É uma história de vários amores... Dos segredos. Dos silêncios. Dos erros. Dos "ladrões" de nossas vidas. Das escolhas. Das coisas que não podemos escolher, porque foram elas que nos escolheram. Das diferenças. Da vida. Da morte. E da família, que como sangue, correr em nossas veias, mesmo que entupidas de magoas, em direção ao coração. (Família e sangue não escolhem e nem são escolhidos, no entanto, ainda que possam ser cortadas, estancadas, ou feito transfusão qualquer, são na maioria das vezes o que nos fazem sentir vivos.) ...  

Acho que no fundo (bem no fundo do poço de nossas dúvidas e certezas), a história nos conta sobre o medo também. O medo de deixar. Não precisamos desse medo, porque tudo que é importante não nos deixa nunca, mesmo quando não queremos. Portanto, no final das contas não se deixa nada nem ninguém... Que roubada!

E eu já desconfiava...

P.S: Como uma personagem do filme, às vezes, me sinto uma “bala perdida”, uma “bomba ambulante”, preste a fazer um atentado (com o que penso). De certa forma, “as balas perdidas” devem servir pra isso: pra levar a desordem; para colocar as coisas em lugares onde ninguém queria que estivessem; para atrapalhar tudo e mudar os planos.  Você já pensou em mudar os planos?! E hoje?!

 

Pra ver mais fotos acesse: www.alexpalhano.com.br
e me siga no Twitter: @AlexPalhano



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ALEX Palhano

ALEX Palhano

Jornalista, produtor e cool hunter. Alex Palhano escreve sobre noite, moda, música, cinema e personalidades. Edita duas colunas no jornal O Imparcial (sextas e domingos) e tem um badalado site de noticias (www.alexpalhano.com). Hoje vive em São Paulo. Faz festas, ataca como DJ e produz eventos culturais para empresas e instituições.


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