| Alta | 04:17h | 5,2m |
| Baixa | 10:45h | 1,1m |
| Alta | 16:39h | 5,1m |
| Baixa | 22:54h | 1,4m |
| Compra: | R$ 2,0032 |
| Venda: | R$ 2,0038 |
| Compra: | R$ 1,9968 |
| Venda: | R$ 1,9974 |

"Sou contra a moda que não dure. É o meu lado masculino. Não consigo imaginar que se jogue uma roupa fora, só porque é primavera"
Coco Chanel
O jogo do mercado de moda em São Luís ainda pode ter partidas com poucos vencedores. Mas tem. E cada dia chega novos jogadores. E outra coisa é certa, a cidade ganha com quem tem grandes sacadas. Apostando nisso, o casal Marcelo Santos e Glenda Faray inaugurou, quinta passada, numa noite bem concorrida, a primeira boutique da ícônica marca Lacoste.
Ponto pra eles! E, por causa de vitórias, resolvi te contar hoje, caro leitor/jogador, alguns sets dessa história de moda que a tal marca do crocodilo mais famoso do mundo tem pra nos dizer...
Tudo era festa em Paris quando o moço rico René Lacoste avisou ao pai que não faria a faculdade de engenharia. Ele jogaria tênis. Monsieur Lacoste deve ter ficado uma fera, mas nunca imaginou que a fera seria um crocodilo famoso anos depois. Aí, por alguns segundos pensou... E bancou o sonho do filho. Deve ter pensado que era melhor manter o rapaz nas quadras do que vê-lo na “ma-ra-vi-lho-sa” boêmia daquela Paris em chamas: entre saraus, absinto, amores e... Tudo mais que o dinheiro e o desejo podiam bancar. (Eu não era vivo e nem vivia em Paris nessa época; que poxa!)
Daí, o eminente industrial, que não era jacaré, mas um macaco velho, já escaldado com os surrealistas, que tomavam conta da cidade com suas “esquisitices” e liberação total, achou que fez a coisa certa. E estipulou um prazo para o garoto esperto: um ano para se estabelecer. Se não conseguisse, iria trabalhar na bem-sucedida empresa da família. (Que dilema, não?! Ah... Os milionários; como gosto de suas crises...).
O que nenhum dos dois imaginavam é que o nome Lacoste tinha outro destino: encarnar um bichinho verde e sorridente e cair nas graças do mundo.
Como isso tudo aconteceu, é uma longa história que lá se vão mais de 80 anos. Só a marca em si já tem 77. A primeira vez que o crocodilo foi visto publicamente, era uma criatura assustadora, com a boca cheia de dentes, o couro escamoso e um olhar mortífero. Um gracejo do tenista para entreter sua plateia durante a Taça Davis de 1927, nos Estados Unidos. Nada ainda de camisas polos, viu?! Nada de marca.
O fim do campeonato trouxe duas vitórias para o tenista: arrebatou a taça dos americanos, vencendo o lendário Bill Tilden, e provou que sua trajetória de sucesso iria muito além das quadras. A imprensa americana soube da história e começou a chamá-lo de O Crocodilo. Lacoste gostou do apelido. De brincadeira, pediu para o amigo Robert George desenhar o bicho.
A coisa era estranha, mas combinava bem com o clima da época. A Paris do fim dos anos 1920 estava em plena ebulição. Era o lugar da moda, aonde todos chegavam para saber as novidades. Salvador Dalí, Joan Miró e Pablo Picasso exibiam suas obras em grandes acontecimentos na Rive Gauche. A psicanálise de Freud acabara de liberar o delírio. (E mamãe nem pensava em ser ainda, em me ter, e sendo assim eu nem podia ser gente... Que coisa!)
Excentricidades eram comuns, e o crocodilo feioso de Lacoste não causava surpresa. A ideia de pendurar um bicho nos seus trajes esportivos era mais uma diversão em sua boa vida. O jovem tenista era realmente muito original. Seu estilo de jogo não tinha nada a ver com o dos outros atletas. Assim como a sua maneira de vestir – elegante e ao mesmo tempo ousada.
Aí, teve a inauguração do estádio de Roland Garros, em 1928, o tênis passou a ser "o evento". E o esporte de ricos começava a se popularizar. Popularizar, assim... Fica mais famoso, lógico. Porque a riqueza nunca vai se popularizar, né?!
E os atletas eram as grandes estrelas. O estilista Jean Patou costurava para Suzanne Lenglen – famosa tenista francesa, vencedora de 31 Grand Slams, de 1914 a 1926 – dentro e fora das quadras. E quem vestia os rapazes? Foi nesse contexto que René Lacoste entrou para a história do tênis e da moda. Sempre com o cabelo gomalinado e em roupas impecáveis, venceu sucessivos campeonatos. Apesar de, em 1930, um problema respiratório ter encerrado sua carreira na quadra, a mesma doença foi responsável pela melhor ideia que ele já tivera na vida: fazer confortáveis camisas de malha para jogar tênis e carimbá-las com o bichano que um dia deu a ele sorte. Pronto: nasceu a poderosa e ícônica camisa polo Lacoste.
Imagine que ainda foi um escândalo na época. Ah... O novo, sempre o velho problema do novo. Algumas pessoas acharam a peça escandalosa só porque mostrava mais o corpo. Nem podiam imaginar que a minissaia vinha anos depois, hei…
Enfim, o garoto, que era campeão de tênis, virou homem de negócios. E de moda. Aproveitou o nome do pai, muito bem influente, para convidar André Gillier, dono da maior malharia da França, para ser seu sócio. E, em 1933, lançou o primeiro produto da marca: La Chemise Lacoste, uma camisa branca de malha piquê mais curta que suas contemporâneas, com mangas curtas, três botões, gola canelada e um crocodilo verde preso na altura do coração. Dessa vez, um bichinho bem mais simpático. O mundo se apaixonou.
E cá estamos nós no final de 2010. Depois de muitas e muitas e muitas viagens que o crocodilo fez para conquistar o mundo, ele chega a Ilha de São Luís nada cansado. Aliás, a marca tá mais viva que nunca: o novo estilista português radicado na França, Felipe Oliveira Baptista, de 35 anos, é o novo Diretor Artístico da grife. A contratação faz parte de uma estratégia da marca de rejuvenescer a flagship e conquistar novos mercados, atraindo um público mais jovem e antenado, reinterpretando os valores da Lacoste. Sempre fina!
Match point!
(Texto publicado na coluna Alex Palhano, no jornal O Imparcial, domingo, 28 de novembro de 2010)
+ Fotos da inauguração: aqui.
Twitter: @AlexPalhano
Vera Amaral
Jornalista - MABoa Tarde Alex!
Adorei a sua coluna sobre a boutique Lacoste. Simples e requintada ao mesmo tempo, sem muito ro-co-có que, na maioria das vezes, atrapalha o entendimento do leitor. Parabéns!!!!