| Alta | 04:17h | 5,2m |
| Baixa | 10:45h | 1,1m |
| Alta | 16:39h | 5,1m |
| Baixa | 22:54h | 1,4m |
| Compra: | R$ 2,0032 |
| Venda: | R$ 2,0038 |
| Compra: | R$ 1,9968 |
| Venda: | R$ 1,9974 |

(Crônica publicada na Coluna AlexPalhano, domingo 19-06-2011, no jornal O Imparcial)
“Como você pode confiar num sentimento se ele simplesmente pode sumir?!” (Frase do filme Blue Valentine)
Você certamente irá pensar hoje: “como falar do amor, da paixão, dos namorados, falando de dois filmes tão doídos sobre relacionamentos?!”... E eu vou te responder na lata: porque é melhor saber logo de cara que, naturalmente, o prazo de validade pode vencer antes que “a morte os separe”. Às vezes sim, às vezes não. E que tudo muda. Só os mortos, caro leitor, só os mortos não mudam.
Dois filmes não me saem da cabeça, desde a semana passada. Um você já deve ter visto, ou não teve coragem pra suportá-lo: Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road). O outro, assisti outro dia: Blue Valentine (no Brasil, ironicamente chamado de Namorados Para Sempre). Os dois são um soco no estômago. Pior (ou melhor): um murro no lado esquerdo do peito. Você já assistiu? É bem provável que depois do que vou dizer aqui você corra pra locar um e tente ver o outro, indo ao cinema (se estiver em cartaz em São Luís). Dê seu jeito!
Foi Apenas um Sonho é de 2008. Reuniu o mesmo casal de Titanic (1997). O responsável foi Sam Mendes, premiado diretor de teatro que migrou para o cinema em Beleza Americana (1999). Apesar de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, o filme tá longe de ser uma história de amor como Titanic. Mas é uma história de amor que afunda, como muitas. Como os sonhos que vão juntos, descendo ralo a baixo. Como vários casamentos lindos, perfeitos e... Vazios.
Em Blue Valentine (2010), do estreante Derek Cianfrance, que só agora estreou no Brasil, exatamente na semana do Dia dos Namorados (tentando vender algo que não é), também é meio assim: tudo toca a morte. É a mesma lição barra e real de Foi Apenas um Sonho: o fim; ou o começo do fim. Sendo que em Blue Valentine você não sabe se rir ou se chora, de tão espelho que é o filme pra quem vê. Mas, no final, doí do mesmo jeito que o outro.
Blue Valentine provoca: é realista e sem moralismos. Fala dos sonhos, dos medos, da paixão e do amor falido. Ou quando acaba pra um e não pro outro. Nos dois filmes, a arte imita a vida. Michelle Williams e Ryan Gosling, os atores da incrível e comum história do casal que vivem no filme com cara de “namorados pra sempre”, têm performances tão poderosas como as de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet . Arrebatadores!
E tem uma coisa que já estava explícito em um, que no outro fica óbvio, principalmente quando a gente aprende na pele: o vazio sem esperança. Esse é o ponto. Muitas pessoas mergulham no vazio, mas é preciso ter coragem pra enxergar a falta de esperança. Precisamos entender que a esperança, aliás, é , na maioria das vezes, uma inimiga camuflada; nos boicotando, nos impedindo de mudar, de olhar em volta, de dobrar a esquina... A esperança é, quase sempre, uma amante que nos trai.
São muitas questões que os dois filmes jogam na cara dos espectadores. E as respostas podem até ser óbvias, mas não são fáceis. Da teoria à prática há mais armadilhas do que se pode imaginar. Tentações, dúvidas, provações e o medo de trocar o certo pelo incerto. Mesmo sendo o certo, errado.
Percebi, também, na bela e tocante história desses casais que, muitas vezes, estamos tão perto do que somos, que só por isso deixamos de ser. Quantos de nós não nos tornamos apenas espectadores da vida, dos filmes, dos livros? Não lembramos mais o que é ser consumido pelo desejo? Esquecemos o que é paixão? Não somos mais movidos por ela? Nem ao menos gelados nós somos: somos voyeurs tépidos, como a água da torneira. Como um corpo ressequido que boia no mar.
Dizer a verdade. Relacionamentos com verdades. E você sabe o que é tão bom em relação à verdade? Todo mundo sabe o que é, não importa quanto tempo tenham vivido sem ela. Ninguém esquece a verdade, apenas melhoram as suas mentiras...Você não acha?!
No final dos dois filmes, as cenas falam tudo: sobre palavras que não queremos ouvir e silêncios que precisam ser ditos.
É... A vida pode não ser um filme, mas você me entendeu. Ou não?!
(Pra ver fotos publicadas na coluna AlexPalhano de domingo, clique aqui )
+ Mundanidades no www.alexpalhano.com
Twitter: @AlexPalhano
Pedro
Professor - RJUAU, parabéns! ótimo texto! Estou correndo para alugar os filmes.